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Era a Austrália, mas…

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

08 de setembro de 2013 | 08h49

Edu: Não vamos levar muito em conta o fato que do outro lado estivesse a Austrália, mas para alguma coisa esses treinamentos de luxo têm que valer a pena e desta vez aconteceu. Destaco duas: normalmente a Seleção teria problemas com retrancas, e desta vez não teve; e existe uma fórmula inteligente sem Hulk no time.

Carles: E eu vou meter minha colher nisso, não vi o habitual preconceito ao passe lateral ou ao menos diagonal como forma de avançar. Aliás, algo que já tinha funcionado contra a Espanha, evidente no gol de Neymar, em que os brasileiros trocam passes sem a obsessiva verticalidade, mostrando inteligência e paciência até encontrar a brecha. O passe vertical, lógico, é o caminho mais curto até o gol, mas nem sempre o mais eficiente pelo alto risco de perda da bola em passes menos assegurados.

Edu: Então, vejamos. Com Hulk, que tem lá suas virtudes, principalmente físicas, o time perde parte do toque e eventualmente algo de rapidez. Ontem também não jogou o Oscar, mas Ramires e Bernard fizeram uma circulação mais eficiente, e com a leveza que fica inviável com Hulk. Pode parecer uma daquelas obsessões do Felipão, porque jogaram teoricamente três volantes, mas insisto em que Ramires e Paulinho não são volantes de ofício. São, na verdade, meias que também sabem defender. Com Oscar e mantendo Ramires podemos ver um Brasil mais eclético, mais habilidoso e até mais ofensivo do que com Hulk.

Carles: Bom, na verdade a tal retranca da Austrália foi das menos eficientes que eu vi nos últimos tempos, deixou espaços vitais para o meio do Brasil trabalhar, mas não deixa de ser um jogo-treino para experimentar alternativas. Já confessei várias vezes minha predileção por outros jogadores antes que Hulk, ainda reconhecendo seu mérito pela dedicação, esforço e aplicação tática (mais na seleção que nos clubes). Tampouco acho Ramires um jogador de primeira linha, se bem que, como peça tática, também parece útil. Outra curiosidade quanto à escalação foi a volta de Maicon que em alguns momentos vi perdido, no esforço de somar-se ao ataque. Sei que o titular Dani Alves tinha problemas físicos, mais exatamente no “músculo Rossel”, como outros companheiros de Barça que deveriam ter ido a Helsinqui (Busquets, Piqué). Mas o estranho é que Maicon nem esteve relacionado para a Confecup. Poderia nos explicar isso?

Edu: Praticamente não jogou no ano passado pelo City, esteve muito tempo lesionado, engordou, praticamente desperdiçou a temporada. Não tinha sentido pensar em Maicon naquela época. Mas a Comissão Técnica precisava de alguma sombra para Dani Alves, até porque o reserva na Confecup era um volante improvisado, Jean. Parece que Maicon ainda está um tanto rechonchudo e perdeu um pouco sua principal vantagem, a vitalidade. Mas agora, titular na Roma e recuperando algumas virtudes, pode ser um reserva importante pela experiência que tem e para deixar Dani esperto. E, em matéria de contusão, acho que tem também o ‘músculo Florentino’, porque Marcelo sentiu uma dor durante o jogo, foi dispensado, não enfrenta Portugal na terça-feira e já está voltando para Madrid.

Carles: Bingo! Certamente a mesma contusão que sentiu Isco em Helsinqui. Justo em ano de Copa, parecem voltar com força os socos na mesa dos presidentes dos dois clubes fortes. Enquanto isso, vocês perdiam a chance de ver os campeões olímpicos que, em casa, ratificaram a própria incompetência. Faz umas horas, os jogadores hondurenhos foram recebidos pelos torcedores no aeroporto de Tegucigalpa aos gritos de: “Aztecazo, Aztecazo, Aztecazo!!!!!”. E, em Lima, os charrúas conseguiram superar mais um match point contra, pelo menos até o meio da semana.

Edu: O México que esteve aqui, na Confecup, já pareceu despersonalizado. Tem até jogadores interessantes, mas sem conexão, o que pode ser um problema de comando técnico, mas agora já está de tal forma atolado que não há milagre possível. E quanto ao Uruguai, é um time que sabe jogar nessas situações em que a pressão chega ao limite, tem jogadores para isso e a velha e boa pegada charrúa. O problema é que tem uma pedreira atrás da outra nas últimas três rodadas: recebe a Colômbia em Montevidéu, enfrentar o Equador fora de casa, um adversário que também briga por vaga, e fecha as eliminatórias contra a Argentina. Para chegar à repescagem precisa ao menos ganhar dois desses jogos. Prevejo muita diversão com Luisito, Cavani e companhia.

Carles: Verdade, está do jeito que eles gostam. Em nenhuma hipótese eu arriscaria dizer que a Celeste está fora. É, sobretudo, um time com ofício – não tem nenhum novato, mais bem ao contrário – e sabe recorrer à técnica quando precisa.

Edu: E não tem sentido uma Copa no Brasil sem o Uruguai. Queremos a Celeste por aqui.

Carles: Así se habla, con un par! Los fantasmas no existen pero haberlos haylos, hehe.

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