As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Espanha (e outros) na Copa, questão de horas

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

11 de outubro de 2013 | 11h03

Carles: Poderia parecer populismo (e talvez seja em parte) a escolha de um estádio como o Iberostar, em Mallorca, com o time local, que nunca respirou muito entusiasmo ambiental e agora, para piorar, está na Segundona e caindo mais… No entanto, é mais uma medida de máxima segurança, evitando os grandes palcos em que as torcidas catalãs, bascas ou galegas poderiam preparar surpresinhas reivindicatórias, ou em Madrid, onde o efeito pode ser justamente o contrario, mas onde se perderia o efeito “bombonera”. Deu no que deu, ontem, no meio da tarde, estourou um quadro de luz no estádio, ferindo dois operários gravemente e colocando em risco a realização do jogo. Inclusive, o treino das duas seleções foi sem direito a ducha quente e o da Roje terminou tudo a meia luz. Lembro que o jogo vai ser realizado numa ilha. Se fosse na península, as medidas de emergência ou uma eventual mudança de estádio seria bem menos complicada. Para complicar, na madrugada de quinta para sexta, a delegação espanhola recebeu a visita dos vampiros.

Edu: Cesc colocou na rede uma foto para ressaltar sua cara de sono antes de fazer o exame promovido de surpresa pela Agência Antidoping espanhola, me parece que por volta das 6 da manhã, certo? Mas tudo isso é fumaça, né Carlão, convenhamos. Para jogar contra Bielorrússia, e depois com a  Geórgia, bastaria um  campo de treinamento daqueles que vocês têm aos montes em Valência. Mesmo com explosão, exame antidoping e outras ‘zicas’. Por mais que queiram fazer um pequeno drama ao estilo italiano, vocês, como nós, sabem que, às sete da noite, no horário daqui, o passaporte estará carimbado.

Carles: Ou estilo espanhol mesmo, deixemos em drama mediterrâneo, especialidade da casa. Sim, você tem toda a razão. No campo, o acaso espera ansioso uma possível falha decisiva de Casillas, que mais cedo ou mais tarde virá por parte, pela sua condição de ser humano. Nessa hora que esperamos não aconteça, é possível que todos os apoios dedicados a Iker virem presente de grego, incluído o do Marquês. Imagine se o rapaz comete um erra e o time não se classifica, e mais tendo em conta o atual estado de forma de Víctor Valdés? Outro que tem lobby, talvez o maior da historia da humanidade, é Arbeloa, apesar das enormes chances de que Del Bosque comece com Juanfran (responsável direto pelos apuros da seleção, graças ao gol de empate da França, gentil oferecimento do lateral ‘colchonero’). A outra possibilidade grande é a entrada de Koke pelo meio, acompanhando Busquets, e Michu lá na frente ou Cesc de falso 9.

Edu: Pelo histórico do Marquês, está na cara: será mais um dia de falso 9, com o sonado Fàbregas fazendo aquele papel que até lhe cai bem às vezes no Barça, mas na seleção fica um pouco complicado. Seria bom ver Koke se associando com Xavi e Iniesta, mas tenho a intuição que Del Bosque vai reservar essa experiência para o jogo contra a Geórgia, quando a vaga estiver matematicamente no bolso. Fico com a impressão que a eliminatória europeia, exceto para um ou outro time sem noção – como Inglaterra ultimamente e Portugal quase sempre – mais parece um trâmite. Nove vagas diretas, mas quatro na repesca. Pode ser difícil para a Ucrânia e para a Turquia, mas para os times de primeira linha deveria funcionar como pré-temporada de luxo para a Copa, apesar dos pequenos sustos, como foi para a ‘Roja’ contra a Finlândia.

Carles: Mais uma vez estamos de acordo, para azar dos leitores ávidos de sangue. Dependendo do andar da carruagem, entra Koke, o meio-campista mais em forma da Liga, e deve entrar também Navas, para não perder o costume. Michu deve estrear, para compensar a convocação de última hora e pelo esforço, se bem que o que não faltam são voos entre UK e Mallorca. Você pode estar achando um mero trâmite, só que fica comprovado a conveniência de resolver antes, não deixar tudo para última hora, porque estas últimas rodadas coincidem com uma fase de inicio das ligas, em que os presidentes andam demasiado zelosos com as joias que compraram no mercado de verão. Missão quase impossível para os selecionadores.

Edu: Se estão preocupados com o vírus Fifa em uma competição oficial, imagine os vários milhões de euros que voaram para o Oriente para um par de jogos inúteis da Seleção Brasileira? Até o Felipão, normalmente um cordeirinho com as coisas da CBF, andou dizendo que o sacrifício não vale a pena. Bom, o que importa é que, daqui a pouco, Espanha, Alemanha, Bélgica, Suíça e Rússia sacramentam oficialmente suas passagens para a Copa, além de alguma seleção das Américas mais à noite, Honduras, por exemplo, e talvez o próprio Chile, se conseguir um resultado surpreendente em sua visita à Colômbia.

Carles: Bom, esperemos não precisar prolongar a sofreguidão destas eliminatórias até o minuto final do jogo de terça-feira para comemorar a classificação, lembrando e amaldiçoando aqueles empates em casa contra França e Finlândia. Por isso, os épicos jogos contra Bielorrússia e Geórgia parecem estrategicamente colocados em meio às comemoração de uma data cada vez mais marciana, o 12 de Outubro, ‘Día de la Hispanidad’, cada vez mais, a lembrança de um tempo de imperialismo, conquistas e genocídios e menos uma celebração nacional.

Edu: Mais tarde fazemos um rápido balanço. Aproveite a confirmação da vaga com ‘una caña’ e algo para ‘picar’.

Carles: ¡A tu salud!

 

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.