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Essa Argentina não empolga, mas o tal de Messi…

FRANÇA INDOLENTE, ‘ARRANJO’ ALEMÃO E PHOTOSHOP NELES

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

25 de junho de 2014 | 20h59

Edu: Somos críticos em excesso com a Seleção Brasileira por depender tanto de Neymar, mas que tal a Argentina com Messi? Bom, ser craque também é isso, ser confiável e decisivo. Mas, assim como ocorre com o Brasil, não consegui ver ninguém empolgado com os hermanos. Como não detecto nada de mais nessa França. Argentinos e franceses passaram com folga, só que é preciso lembrar a toda hora que estavam nos grupos mais desossados da Copa. Ali a chance de levar um susto era mínima.

Carles: Bom, a boa notícia para a Argentina é que Di María começou a chegar na Copa. Também é verdade que o jogo foi um correcalles como se diz por aqui, sem demasiado rigor tático e por isso foi até vistoso. Vi também que Messi não só foi decisivo, como também esteve muito ativo, inclusive pressionando a saída de bola do goleiro adversário. Será pela presença de Pep Guardiola na plateia? Até Shaquiri respondeu à presença do comandante no Brasil e meteu três.

Edu: Di María melhorou, Lavezzi entrou bem, mas o desequilíbrio mesmo sempre vem com Messi, aquele ponto que separa os times medíocres dos competitivos. Em compensação Higuain anda sumido e Kun Agüero faz uma Copa ridícula, tanto que o time melhorou quando ele saiu com sua enésima lesão da temporada. Agora será contra a Suíça, que fechou a primeira fase marcando dois gols ou mais em todos os jogos, ao contrário de outros tempos. Até onde podem ir Shaquiri e os suíços contra Messi? Haverá algo mais na Argentina além de Messi que ainda não vimos?

Carles: Falando no Pocho Lavezzi e nos helvéticos, e se você me permite antes de seguir, têm duas coisas na rodada de hoje que eu não entendi até agora, talvez pela distância que me separa dos fatos. Primeiro, qual o significado de o atacante do PSG ter jogado água no treinador argentino na beira do gramado enquanto ele tentava dar instruções? A outro, se a seleção do Equador pensava que o resultado classificava o time para as oitavas. Pergunto isso pela aparente passividade e conformismo, por que o treinador Reinaldo Rueda substituiu Arroyo pelo zagueiro Achilier faltando oito e só colocou Caicedo faltando dois minutos, como se quisesse segurar o zero a zero. Provavelmente o único equatoriano que saiu valorizado desta campanha é Enner Valencia que já deve estar na agenda de muito manager. Será que é só encanação minha?

Edu: O banho de Lavezzi em Sabella só pode ser um pretexto pra virar top 5 no YouTube (convenhamos, a cara de tonto do técnico ficou bem engraçada). E a retranca do Equador, uma raridade nesta Copa, ainda me cheira a complexo de vira-lata sul-americano, porque, se você reparou bem, depois da expulsão de Antonio Valencia, o Equador quase ganha o jogo em dois contra-ataques enquanto a França não conseguia se impor contra dez jogadores. Mas ainda espero respostas às perguntas sobre Argentina e Suíça.

Carles: Pois é, complexo ou falta de convicção… Bom, vamos então com a eliminatória da seleção argentina que dá a impressão de jogar em casa, tamanho apoio da torcida. É verdade que o jogo de hoje foi em Porto Alegre, mas contra a Suíça será em Itaquera que, imagino, não vai ser um obstáculo para a hinchada. Não, não estou fugindo do assunto, penso que vai ser um fator decisivo e que a Suíça não demora muito para fazer as malas. Bom, também não sei a capacidade da varinha mágica de Guardiola e seu efeito transformador sobre Xerdan, o chamado Messi dos Alpes. De repente até mordo a língua.

Edu: Um diagnóstico de normalidade esse seu, claro, considerando que a Suíça não tem cacife histórico para encarar a Argentina praticamente jogando no quintal de sua casa, por mais que Shaquiri, com seu valente sangue kosovar, possa fazer. Se bem que o conceito de ‘normal’ nesta Copa anda meio desmoralizado. Na outra asa das oitavas, os franceses se verão contra a Nigéria. O resultado é previsível, mas é o tipo de jogo que pode sair faísca, com muito contato físico, porque os franceses também não são de muitas carícias.

Carles: Entendo seu empenho em trazer emoção, lançando mão do inesperado. Eu sigo sendo cético quanto às surpresas, pelo menos até as semifinais. Agora, no caso da França, o imprevisto foi justamente a flama dos primeiros jogos e não essa passividade de hoje, mesmo considerando que Deschamps tenha decidido poupar alguns dos titulares contra os equatorianos. Portanto, acho mais complicado para a França confirmar seu teórico favoritismo contra os robustos nigerianos do que para os argentinos, apesar dos problemas de comando que, insisto, parecem existir no grupo.

Edu: Se a Costa Rica não é surpresa, enquanto três campeãs mundiais foram embora, então não entendo mais nada. Mas entendo seu ceticismo, não é de hoje. De volta ao mata-mata da França, no jogo em si não haverá muita dificuldade, principalmente pela volta ao time do pequeno grande Valbuena, maestro de percussão, que dita o ritmo e faz a roda girar para que Benzema deite na fama. E amanhã, na definição das últimas vagas, quero ver se os ianques topam participar de um arranjo entre os velhos amigos Klinsmann e Löw. Vamos imaginar que não exista arranjo nenhum e que o jogo termine empatado, por acaso, classificando os dois. Quem vai acreditar em duendes?

Carles: Ninguém. Nem as multicâmaras ou toda a tecnologia do mundo conseguem afastar a suspeita ou comprovar a evidência no futebol. E, se não, pergunte ao Lugano que praticamente jurou que as marcas dos dentes de Luis Suárez no ombro de Giorgio Chiellini são de nascença. E se essa não colar, Photoshop neles.

 

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