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‘La Roja’ prepara suas respostas

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

27 de junho de 2013 | 12h25

Edu: Mais Família Del Bosque do que nunca, com Iker, Cesc e Torres.

Carles: Boas opções. Confirmam-se minhas suspeitas quanto a Casillas e Fernando Torres. Inclusive aprovaria a opção por Cesc como homem de ligação, chegando de trás e colaborando na zona de marcação que não conta com Xabi Alonso. Aprovaria se não preferisse Silva contra a Itália. Assim mesmo, a escalação ainda não é oficial.

Edu: O equívoco é Torres. Nesse esquema italiano que foi anunciado ele provavelmente não pegará na bola, com a mobilidade que tem.

Carles: Ele deu uma afinada nesta última fase com Benitez no Chelsea. Não tem mobilidade para acompanhar a filosofia de combinação da equipe, mas faz bem esse papel de ‘delantero’ autêntico, fazendo diagonais, aproveitando as costas da defesa ou cruzamentos desde o fundo. Segue não me convencendo e se a Itália sair totalmente fechada vai haver alguma dificuldade, sim, mas tenho visto o time do Del Bosque utilizar um pouco mais a profundidade, com as chegadas de Jordi Alba e mesmo Iniesta (não o inútil do Arbeloa, infelizmente). Nisso, Torres pode ser útil. Além disso, a presença dele vai forçar a Itália a não adiantar a defesa para juntar as linhas, facilitando a transição do meio espanhol.

Edu: Não me apetece muito o esquema do Marquês sem o centroavante, mas neste jogo talvez funcionasse, com David Silva no lugar de Torres. Imagino que a Itália, mais calculista nessas coisas, vai tentar enredar a Espanha no primeiro tempo fazendo um ‘imbroglio’ do meio de campo para trás e apostar tudo no momento em que os times estiverem esgotados, no segundo tempo. Aí qualquer coisa pode acontecer. Mas se a ‘Roja’ meter dois gols logo na primeira metade, foi-se o plano de Prandelli.

Carles: Marcar dois gols de cara acaba com quase qualquer esquema. A não ser que seja o Japão, hehe. Na verdade, o maior adversário de ‘La Roja’ tem sido um certo veículo de mídia brasileiro que insiste em jogar sujo. Devia seguir o exemplo da sua jovem Seleção que ganhou honestamente e no campo seu lugar na final. Perdoe-me mas a questão dos sabonetes e dos controles remotos pelas janelas do hotel tirou toda a credibilidade do caso das moças, em Recife. Sei que essa rapaziada seria incapaz desse tipo de coisa.

Edu: Pelo jeito você entrou na onda da imprensa esportiva de Madrid. Não sabemos de fato o que aconteceu, mas algo houve, isso está claro. E o pessoal de uma parte da mídia aqui adora essas baixarias – como aliás vocês também, com sua ‘prensa rosa’. Mas o pessoal do diário Marca resolveu apostar nessa história de que há brasileiros querendo desestabilizar a ‘Roja’, coisa que até mesmo um repórter de rádio da Catalunha desmoralizou no ar, ao dizer que esse tipo de atitude é própria dos ‘jornalistas torcedores’ de Madrid.

Carles: Como diriam os Indignados, nem Marca nem a imprensa madrilena me representam. Olha, eu não tinha nenhum motivo para duvidar que teria havido algo em Recife, mesmo sabendo que a maioria das “parejas” dos jogadores estão no Brasil e eles têm sido visto jantando juntos, em família. Mesmo assim, a dúvida era razoável. Agora, quando o meio que vem enganando todos os brasileiros faz décadas veio com a história de atirar sabonetes e controles remotos pelas janelas do hotel em Fortaleza, aí toda essa história ruiu. Os jogadores dessa seleção não são intelectuais, mas todos têm a cabeça no lugar e repito, essa atitude não encaixa com eles. Nem acho que a ideia seja desestabilizar, mas fazer sensacionalismo, no que, convenhamos, são especialistas.

Edu: Bom, Carlão, como não acho que sair uma noite ou outra signifique ‘não ter a cabeça no lugar’, em se tratando de jovens, prefiro dizer que essa bagunça toda importa muito menos do que parece, inclusive porque o resto da mídia por aqui está preocupada com outras coisas bem mais sérias que estão movimentando o país, inclusive esta etapa decisiva da Confecup. Só acho que é muito abuso os caras estarem aqui dentro, no país que tem tradição nesse negócio de futebol e admira demais a ‘Roja’, e acharem que a meta é desestabilizar. É muito mesquinho. Todo mundo quer ver Brasil e Espanha na decisão e ponto final. O resto é trololó.

Carles: Utilizei a expressão ter a cabeça no lugar com relação a atirar objetos pela janela. Imagino que os bons apreciadores do futebol gostariam de poder assistir essa final, inclusive porque ninguém sabe o que pode acontecer. É um encontro inédito desde que as forças estão mais igualadas entre os dois. Mas antes tem a muito competente Azurra, que merece respeito também. Não acho que será fácil.

Eu: Pressinto que tudo pode acontecer nesse jogo de clima maluco em Fortaleza.

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