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Lampejos de Kaká e Neymar tímido

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

22 de outubro de 2013 | 20h33

Edu: Pela primeira vez vi Neymar intimidado jogando pelo Barça. Pareceu pouco à vontade com a marcação fechada e, para complicar, foi pouco acionado. Talvez o próprio Barça ainda não esteja acostumado com ele, talvez ainda não tenham tanta confiança na capacidade dele em abrir defesas herméticas como essa do Milan.

Carles: Realmente foi o jogo com menor participação dele, desde que chegou. O Barça inclinou o campo para o outro lado, talvez saudoso de um Alves ativo (e ele não deixou por menos) e meio desconfiado do péssimo jogo de Adriano contra o Osasuna. Sem um lateral que encostasse e combinasse e com um Iniesta mais preocupado com a renovação que não sai, o lado esquerdo do Barça ficou meio esquecido mesmo e, com ele, Neymar.

Edu: Esse lance da renovação do Iniesta dá a impressão de ser bem significativo para o momento do Barça. Xavi anda sobrecarregado e Messi ainda pareceu um pouco preso. Sem contar que Alexis foi nulo. Mesmo assim, poderiam ter solicitado mais do Neymar, que até tentou buscar o jogo no primeiro tempo, mas depois se acomodou na lateral, talvez por instrução do Tata. O jogo teve boas coisas no primeiro tempo e mostrou que Kaká ainda sabe jogar bola, enquanto tem gás.

Carles: Esperando o efeito jaula do Milan lá atrás, encaixando meias e zagueiros, Tata optou por Alexis e Neymar bem abertos, esse era o plano. Só que ainda teve o entusiasmo de Kaká que fez às vezes de lateral esquerdo, à moda de Eto’o na Inter de Mourinho. Aliás, não foi um mau jogo do brasileiro, o mais ativo, enquanto esteve em campo, justo os 70 minutos que tinha combinado com Allegri. Do lado blaugrana, em Pamplona, a suspeita foi que o time se poupou para a Champions e hoje, para o clássico contra o Real Madrid.

Edu: Será? Um luxo poder se poupar em um jogo de Champions. Mas pode ser isso mesmo, porque nada seria mais prejudicial neste momento do que perder esse clássico em casa. Enquanto isso, em Viena, nada de se poupar para o Diego Costa. Dois gols, um deles magnífico. Tudo bem que o adversário era um pãozinho doce, mas a Champions começa a conhecer a fúria do sergipano.

Carles: “El bombardero de Lagarto”, dizem por aqui os locutores. Ele viajou com muletas e decidiu, assessorado por Turan e um grande Koke, que bem provavelmente vai acompanhar Diego na Roja, pelo menos enquanto Xavi Alonso não volta. Mais do que se poupar, o Barça, imagino, procurou não se exceder no desgaste, melhor pensar assim do que desconfiar que Messi continua sem velocidade. Estrategicamente para o resto da temporada, o jogo de sábado, em casa, é muito importante.

Edu: No fim, o mais chamativo da rodada quanto aos resultados foi a surpresinha que Klopp aprontou para Wenger no dia do aniversário do francês, em pleno Emirates. Foi um toque importante, porque o Arsenal, líder da Premier, não pode ter a ilusão de que seu time está pronto. O meio da zaga não tem mobilidade, fracassa com a bola no chão e como o time é bastante ofensivo, as coberturas não funcionam. E o Dortmund sabe ser letal quando se prepara para isso.

Carles: Embolou tudo no grupo, com Nápoli ganhando 1 a 2 em Marselha, os italianos empatam a 6 pontos com Borussia e Arsenal. Há quem diga que ainda falta chegar um grande goleiro para acabar de arrumar esse Arsenal e que ele se chama Iker Casillas, que tem uma oferta dos ingleses na gaveta. Ele já sabe da boca de Ancelotti que só vai jogar na Champions, 12 jogos no máximo, e da Del Bosque e que se não jogar no seu clube não vai ser titular na Copa do Mundo. Pode ser que aconteça o imprevisto.

Edu: O primeiro grande teste será esse jogo de amanhã contra a Juve. E aí virá o clássico. Quem sabe?

Carles: No clássico jogam Diego Lopez e mais dez. E amanhã tem Llorente de volta ao Bernabéu, onde costuma marcar.

Edu: Sinto uma maldadezinha de torcedor anti-Madrid nessa observação.

Carles: Nada, torço pelo sucesso de Iker e de Fernando Llorente também.

Edu: Sei…

 

 

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