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Maldição de Bela Guttman… parte II (Vidas paralelas desde Yokohama)

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

16 de maio de 2013 | 06h05

(vide o post anterior Maldição de Bela Guttman revive em Amsterdã)


00:30

Carles: Então as vidas paralelas entre Chelsea e Corinthians voltaram a se separar. Os ingleses favorecidos pela maldição de Bela Guttman e o campeão do mundo derrotado por uma camiseta ou por uma velha raposa?

Edu: Não havia Bela Guttman, mas havia Bianchi e suas artimanhas que mais parecem poções mágicas. E o Corinthians caiu nelas, derrubado também por um gol impossível com a marca de Riquelme.

Carles: Justo o contrário do que comentamos faz umas horas sobre a relativa importância de um técnico de um elenco de estrelas?

Edu: Só mesmo um técnico com o time nas mãos pode fazer um grupo de jogadores limitados como este usar todos os recursos possíveis para não só evitar uma derrota, como até dominar o jogo em muitos momentos do primeiro tempo, mantendo a bola no ataque, neutralizando as principais iniciativas.

Carles: Assisti ao segundo tempo, aguentando os olhos abertos como pude, vi um time ansioso, pouco daquela autoconfiança do ano passado, quando parecia sabedor de que mais cedo ou mais tarde conseguiria seu objetivo.

Edu:  Particularmente, acho que o Corinthians começou a perder a eliminatória com sua postura mesquinha do primeiro jogo. Esse tipo comportamento faz adversários do calibre do Boca se sentirem à vontade. Os xeneizes ganharam força moral para o segundo jogo e aprenderam muito bem com a derrota da final do ano passado. E Tite, apesar de oferecer brava resistência, caiu na esparrela tática de Bianchi. Duas vezes.

Carles: Mas assim mesmo, eu vi o time jogando com intensidade, sem a habitual inteligência a que nos acostumou este time do Tite, mas empurrando o adversário contra as cordas.

Edu: A reação forte no segundo tempo só bastaria diante de um adversário sem história. Levar um gol e suportar pressão, para o Boca Juniors, são coisas corriqueiras, insisto, mesmo em se tratando de um time limitadíssimo, um dos piores dos últimos tempos desse clube glorioso.

Carles: Tem muita gente reclamando da arbitragem. Se bem que eu vi um gol que me pareceu legal sendo anulado, não dá para justificar a eliminação com isso, não acha?

Edu: Diria que três problemas marcaram a eliminação do Corinthians especificamente no jogo de ontem: o descontrole emocional do primeiro tempo em função dos erros de arbitragem; a falta de alternativas no ataque quando partiu para a pressão logo após sofrer o gol; e a irregularidade de jogadores que não costumam fracassar nessas ocasiões, mas que não foram bem desta vez, como Danilo e Guerrero. Em compensação Paulinho foi o líder técnico e moral do time, uma lição de ‘corintianismo’. E, claro, sem contar um quarto problema, o pai de todos os problemas: o Boca!

Carles: Uma coisa serve de consolo, o comportamento que vi tanto do time, abraçando e cumprimentando os adversários “argentinos”(!!!!!) que acabavam de eliminá-los, dando uma imagem pouco habitual no continente e a torcida festejando o time.

Edu: Os tempos deste Corinthians são outros. Enquanto as torcidas inimigas da cidade festejavam a derrota do rival de sempre – ignorando que seus próprios clubes acabam de passar por isso, ou coisa pior -, os quase 40 mil corintianos no Pacaembu cantavam o hino do clube como demonstração de reconhecimento. Alguns anos atrás, seria uma noite de quebra-quebra no estádio.

Carles: Nesta “se te ha visto el plumero”, companheiro. Mas eu entendo.

 

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