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Momentos decisivos para Kaká

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

26 de fevereiro de 2013 | 06h17


 

Carles: Quero falar do Kaká, do seu ressurgimento, sem falar do Mourinho. Somos capazes?

Edu: Acho difícil.

Carles: Vamos tentar falar de futebol só, portanto, sem Mourinho,

Edu: Primeiro, ainda tenho muitas dúvidas sobre esse ressurgimento. Uma partida razoável na semana passada contra o Rayo, depois um gol marcado contra o Depor, que está no bico corvo. Será que é suficiente para falarmos em ressurgimento?

Carles: Por enquanto, apareceu a pontinha do iceberg e são dois jogos bons em sequência.

Edu: Kaká continua sendo um cara muito querido por aqui. Temos a tendência de ser condescendentes com ele, porque é boa pessoa, tem caráter e todo mundo acompanhou o sofrimento por que ele passou. Existe uma pressão tácita para que ele volte com tudo à Seleção e lidere o time de garotos, Neymar, Oscar. Estamos exagerando?

Carles: Exagero é querer que ele seja líder, se esperam isso dele por aí, esqueçam. Outra coisa é que ele seja um norte para o jogo, uma referência. E um grande reforço técnico.

Edu: Acho que ele pode ser um líder técnico, sim. Como aliás já foi na Seleção e até no Milan. Todo mundo sabe que ele não tem personalidade de líder, mas pode ser o condutor técnico tranquilamente. Só que as dúvidas ainda são muitas sobre até onde ele pode chegar. Talvez esses jogos contra Barça e Manchester sejam uma espécie de exame final, a hora da virada.

Carles: Sou dos que mais questionam o Kaká, principalmente pela sua personalidade, mas algo me diz que esses jogos vão ser mesmo decisivos para o resto da carreira dele, principalmente contra o Barça. Se ele conseguir ser importante nesse jogo de hoje e também no fim de semana, e dependendo das condições físicas dele, pode dar um giro positivo na carreira. O jogo contra o Manchester provavelmente, se o Madrid fracassar, vai afetar menos cada uma das figuras do time ou do clube. E se houver um duplo fracasso nem sei se haverá mais clube.

Edu: Isso se o cara – aquele que prometemos não citar o nome – colocar ele para jogar.

Carles: Vai por, quer apostar?

Edu: Não quero não.

Carles: “Esse cara” perdeu ou entregou o comando, definitivamente. É visível… Bom, pensando bem, você pode ter perdido a chance de ganhar uma grana, no Madrid tudo é possível.

Edu: Também tenho muitas restrições sobre o jeitão do Kaká. Bom menino demais, bonzinho demais, religioso demais. Mas uma coisa é preciso ser dita sobre o episódio com o português: ele foi um exemplo de comportamento digno. O Portuga fazendo de tudo para humilhar o cara, repetindo várias vezes que não contava com ele, excluindo até do banco, e o Kaká ali firme, sem abalos, sem nenhuma queixa. E o luso apertando o torniquete, inconformado que o cara não reagia como qualquer boleiro reagiria. Se depois de tudo isso o cara ainda conseguir jogar, merece ainda mais respeito.

Carles: Olha, o português costuma partir para a abordagem ao poder lá por onde ele passa. Desafia e põe à prova a autoridade dos dirigentes para tentar impor as suas regras. Com o Florentino foi principalmente com o Kaká, para mostrar quem é que manda, já que o brasileiro foi contratação da presidência. Só que sobrou para o pobre Izecson.

Edu: E se tudo se confirmar e o Português cair fora, a turminha desprezada por ele ganha força, com Iker e Sérgio Ramos puxando a fila.

Carles: Iker e Ramos estão só à espreita. Em compensação, Pepe e Coentrão, por exemplo, terão os dias contados no clube “blanco”.

Edu: Como diria meu sogro, ‘ni falta que hace’.

Carles: Sábias palavras.

Edu: E no caso do Coentrão, o Madrid deixará de jogar pela janela seis milhões de euros ao ano. Com todas as reservas e a insistência nessa pose estigmatizada pelo ‘bom mocismo’, ainda torcemos muito pela Kaká por aqui. Seria legal ver o jogo dele hoje no Camp Nou, na semifinal da Copa. Mas ainda acho que o Luso vai de Di Maria.

Carles: Ele anda às turras com ‘el fideo’, hein? Outro dia quase entra em campo para puxar a orelha do argentino. A minha conclusão é que ele não escala, exclui.

Edu: A menos que o Coronel Mendes dê um telefonema estratégico. Aí então, pelo bem da firma…

Carles: Ah, tem essa.

 

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