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Ney, Messi, Cristiano, Iniesta. Precisa mais?

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

25 de outubro de 2013 | 21h19

Edu: No dia em que se completam 150 anos desde que um sacudido grupelho de ingleses resolveu criar o regulamento desse jogo imprevisível, ao menos quatro dos cinco melhores jogadores do mundo estarão em campo. Se forçarmos um pouco e incluirmos Xavi, serão os cinco melhores. Tem homenagem melhor que esta?

Carles: Coincidência, pelo que eu conheço dos dirigentes do futebol espanhol, não passa de uma casualidade. Espera…  Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar e espero que o quarto elemento nas suas contas, seja Iniesta e não Bale. É isso?

Edu: Sim, sim e sim. Iniesta, claro.

Carles: Vinham um argentino, um português, um brasileiro e um espanhol… se não fosse uma celebração, pensaria que é uma piada.

Edu: Tal seria se tivéssemos um galês nesse banquete. Só se fosse mesmo uma reverência à data. Para efeito de Liga, talvez nem tenha tanta relevância, mas, como sempre nesses clássicos espanhóis, fica pior para quem perde do que melhor para quem ganha. Ou não é assim? A não ser que quem ganhe seja o Madrid, dentro do Camp Nou.

Carles: Quem tem a perder com esse jogo é o Barça. Uma vitória do Real Madrid no Camp Nou seria um sopro de vida para o resto da temporada. Além do mais, tem pinta de ser uma armadilha. Se o Barça ganhar e não jogar bem, não partir para cima, é quase a mesma coisa do que não ganhar. Se o Madrid perder, só não quebra o serviço do inimigo e ainda tem o jogo em casa. Nesse caso, na tabela, ficaria muito parecido a como estavam as coisas antes de começar a rodada anterior. Tem ainda a possibilidade de um empate e de que o Atlético aproveite para pular na frente dos dois, pela primeira vez sozinho na cabeça, depois de muitos anos.

Edu: Quem sabe a necessidade de jogar bem tenha levado Tata Martino a dizer que tomar a iniciativa é próprio de seu time, está na constituição genética do Barça. É o que se espera, é certamente o que também Ancelotti espera para poder recorrer aos tais três passes que ele julga suficientes para um contra-ataque.  E precisamos ver se será mesmo uma prova de fogo para Neymar. Li há pouco no ‘El Pais’ uma coletânea de opiniões de técnicos e ex-jogadores sobre o papel de Neymar no Barça. Só elogios, nenhum reparo a Ney. Me chamou a atenção, entre tantas qualidades ressaltadas, a opinião de Juanma Lillo, ex treinador do Almería, entre outros. Diz ele que o fator mais desequilibrante em Neymar é que ele é o mesmo aos 19 e aos 90 minutos.

Carles: Um visionário , o Lillo, gênio incompreendido e injustiçado, propagador pioneiro das ideias do tiqui-taca por aqui, mas sem demasiada sorte (ou lobby). E, para variar, tem toda a razão e nem por uma questão de estado físico, mas de estado de espírito. Neymar escolheu o Barça porque achou que ia poder encontrar lá o seu playground, para brincar sempre e é isso o que ele faz o tempo todo. É a grande oportunidade dele, esse clássico, o segredo é seguir demonstrando ansiedade zero.

Edu: Esse playground tem nome neste clássico: Arbeloa. Victor Muñoz, outro dos consultados pelo ‘El País’, acha que a única saída de Arbeloa é impedir que Neymar receba a bola com um mínimo de espaço. Se isso acontecer é melhor se preparar para o pior. Mas, pessoalmente, acho que, se Ney tiver que sentir alguma pressão extra, será neste jogo. Se bem que o garoto costuma crescer nessas horas.

Carles: A diferença entre Arbeloa e Scott Brown, aquele do Celtic que agrediu o Neymar e foi para o chuveiro mais cedo, é que o Alvarito prefere fazer as coisas por baixo do pano. Ele pousa de jogador limpo, quando na verdade, bate bastante. É um especialista no que o Tata definiu como a agressão “después de la descarga”, ou seja, quando Neymar já passou a bola, quando tanto o olhar das câmeras como do árbitro já foram embora. Segundo observou Martino, é o tipo de agressão mais comum a que Neymar está sendo submetido, para minar a resistência e persistência dele, mas evitar a punição.

Edu: Bom, se for esse o problema, estamos quites, porque se há algo que não mina a persistência de Ney é pancada. Por algo inexplicável, que só acontece na televisão brasileira, nenhuma emissora anunciou ainda a transmissão do jogo por aqui. O aniversário do futebol merecia melhor atenção. Ou seja, se deste lado do mundo quisermos saber tudo sobre o primeiro confronto de Neymar com o Real Madrid vamos depender de suas precisas observações e do que pudermos pescar na internet.

Carles: 150 anos, 113 deles com a presença dos culés e 111 com os merengues. Um jogo clássico, cheio de rivalidade, dentro e fora de campo. Coincidência ou não, é uma festa digna e à altura da comemoração. Vai ter ovação organizada pelos catalães para receber um madrileño, madridista até a medula, como é Iker Casillas. Vai ter 4 ou 5 dos maiores jogadores do mundo, vários candidatos à “Chuteira de Ouro”. Um grande espetáculo, que também é um produto espetacular. Não entendo o motivo da não transmissão. A festa por aí fica por conta do lançamento do e-book 150 Anos de Futebol, de José Eduardo de Carvalho e editado pelo Estadão. Como privilegiado que sou, já li e recomendo.

Edu: Privilegiado colaborador.

 

 

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