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Neymar, versão Obelix

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

11 de setembro de 2013 | 08h34

Carles: Pelo visto, funciona o tal complexo vitamínico, poção mágica ou seja lá o que for do Barça.

Edu: Pode ser uma xaropada, mas ele acabou com o jogo.

Carles: Por isso mesmo. Nas histórias do Asterix funcionava e eles quase acabam com o Império Romano. Se eu fosse o Del Bosque pediria a fórmula ao Barça.

Edu: E Neymar enfrentou um pequeno exército de carniceiros, impressionante como dá pancada aquela defesa portuguesa. Perto de Bruno Alves, Pepe é praticamente um monge budista.

Carles: Bruno Alves não tem outro recurso, e Pepe, embora ele mesmo ignore, poderia ser um zagueiro de muita classe. Como foi o resto do time?

Edu: Razoável. Portugal tem um jogo bem compacto, marca muito, além de bater. Sem Cristiano não teve força no ataque, mas dificulta para um time como o Brasil. Mesmo assim, 3 a 1 foi pouco principalmente pelo que fez Neymar. Quando ele parou para descansar aos 20 minutos do segundo tempo o jogo terminou, até então fez de tudo e destruiu sozinho o sistema lusitano. Para a Roja é que a terça-feira não foi lá essas coisas, pelo jeito.

Carles: O empate caiu do céu. Com um time reserva que não chega à unha do dedinho do pé da sub 21. Por mim, trocava já uns pelos outros: Morata, Jesé, Muniain, Isco, Illa, De Gea já! Quanto antes esquecermos os Arbeloa, Albiol, Javi Garcia, Soldado, muito melhor. Mas a pior notícia do amistoso é para o Equador, candidato a ter que entrar literalmente na guerra para se classificar para a Copa. O time chileno que o argentino Sampaoli armou é muito interessante, joga rápido, com variações e, claro, muito aguerrido. Ou muito me engano ou vai sobrar para os equatorianos viajarem à Jordânia, ali do ladinho da Síria, para tentar ir ao Brasil em 2014.

Edu: Tem uma grande chance, porque Cavani resolveu jogar e o Uruguai ressuscitou definitivamente. Com a Argentina definida, teremos um final de eliminatória na América do Sul pendente desses dois, Equador e Uruguai. A Colômbia está tranquila e também o Chile, apesar de Valdívia, que ontem não esteve contra a Espanha mas que atrapalha um pouco a fluência do time. Também se classificaram ontem Estados Unidos e Costa Rica, confirmando que o México não para de afundar. Nessas alturas, a dois meses do fim das eliminatórias, continuo achando que o único campeão do mundo que corre risco de não vir ao Brasil é a França.

Carles: Não tem por quê, mesmo indo à repescagem segue tendo todas as chances. Claro, nunca sabemos qual será a França que veremos. Ontem com um Karem sorridente no banco. Parece que a coisa nunca é com ele, definitivamente um cara feliz, sem nenhuma pressão na vida. Também não acho que La Roja seja capaz de deixar escapar a vantagem contra Geórgia e Bielorrússia e jogando em casa. Mesmo chegando à conclusão de que o jogo de Xabi Alonso faz falta, o que mais deixa saudade vendo a indolência do time, é a liderança dele ali no meio.

Edu: Sou obrigado a ser repetitivo: Del Bosque é muito preguiçoso, não mexe nas entranhas, não dá alternativas táticas. É sempre a mesma história, quando a coisa está complicada entra o Navas para abrir o jogo ou então muda o centroavante, remenda daqui, puxa dali. Fica difícil, mesmo para um time talentoso, jogar por inércia. Como fã do tipo de jogo espanhol confesso que é desanimador.

Carles: Preguiçoso ou muito burocrático. O raciocínio dele é um pouco linear sim, por enquanto algo tolerável, já que é mais do que suficiente para se classificar. Mas se os meninos da sub 21 não forem à Copa pelo menos como fundo de armário e tivermos que aguentar alguns jogadores que só na cabecinha do Marquês vem antes deles na linha sucessória, aí, nem preguiça, nem burocracia, burrice mesmo.

Edu: Veja você como são as coisas nesse jogo que nos acompanha a vida inteira e não para de surpreender. Há poucos meses crucificávamos a retrógrada postura do Felipão e tínhamos o time do Marquês como modelo. Hoje, quase nem discutimos Felipão – não que ele tenha mudado algo substancial, mas o time caminha bem melhor. E agora Del Bosque é que está na berlinda.

Carles: Renovar ou morrer e no caso dos dois, senhores já não tão jovens, a vontade de se reinventar provavelmente depende das motivações externas. Pode ser que a estabilidade e falta de questionamento no posto tenham levado Del Bosque a uma certa miopia, fruto também de certo isolamento no cargo. Temo que a sacudidela necessária, no caso de Don Vicente, só vai vir em forma de cacetada e que será em plena Copa. Só espero que a pancada não seja tão forte a ponto de tirar todas as perspectivas de uma geração de esportistas muito bem formada.

Edu: Pelo jeito baixou o espírito da velha Espanha, né Carlão. Para chegar ao ponto de apelar à poção mágica da dupla Obelix-Neymar agora entendo seu pessimismo.

Carles: Na pior das hipóteses, sempre resta o consolo de poder vaiar os ianques em pleno Brasil, isso eu não perco por nada!!!

 

 

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