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O fantasma das lesões em clima de Champions

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

14 de fevereiro de 2014 | 21h04

Edu: Como Neymar será recebido de volta?

Carles: Bem, muito bem, como ele merece pelos serviços prestados em campo. Aliás, acho que a torcida do Barça anda ansiosa pela presença de um jogador de ponta e que visivelmente não anda poupando forças. Talvez uma das únicas exceções, junto com Alexis e Pedro, este o único dos três que não está cem por cento garantido no Mundial. Cada vez estou mais convencido de que Messi não é o único com o freio de mão puxado.

Edu: Pedro? Está garantido, claro, é da Família Del Bosque. Da nossa ótica brazuca, Neymar é o que falta neste Braça. Nos últimos jogos, o time foi mais eficiente, mas totalmente previsível, se Messi não tem uma chispa, não se sabe o que vai acontecer. Contra essas defesas que estão se acostumando a enfrentar o Barça, só um Neymar pode romper a rotina. Vai errar algumas, mas duas ou três sempre acerta. Só vamos ver se ele também não resolve puxar o freio de mão.

Carles: Desconfio que você não entendeu bem. A ausência de Neymar foi sentida por brazucas mas principalmente pelos culés. Mesmo que ninguém diga claramente, parece que agora sim ficou evidente que tem gente se poupando mesmo, Busquets, Xavi, Iniesta, Messi, Jordi Alba, além do inimigo Xabi Alonso, entre outros. Pedro é um que pelo menos tem corrido, já que com tantos candidatos repentinos para as posições de ataque, pode até sobrar para ele. Mas aviso desde já à turma do “incompreensível decisão de deixar Neymar no banco” que ele deve começar por lá mesmo e, salvo uma emergência de estado, aposto que joga só os 20 minutos finais.

Edu: Contra o Rayo neste fim de semana? Banco, claro, e sem reclamar. Vai voltar aos poucos. Mas essa história de tanta gente se poupar vai passar por uma prova definitiva no meio de semana, na volta da Champions. Contra o City, se bobear, toma uma goleada que pode se tornar irreversível no Camp Nou. Mesmo sem Kun Aguero.

Carles: É, lá no UK com o “Ingeniero” não tem história de freio de mão puxado, Navas e Negredo têm jogado com toda a intensidade – mais motivos de preocupação para Pedrito. Certamente, para a Champions o plano muda totalmente, a não ser que o senhor Lionel decida seguir jogando só para o gasto. Para Neymar, por exemplo, é um torneio quase tão importante como a Copa. Ele sabe que no torneio continental está a outra metade de uma possível Bola de Ouro em 2015. É bom lembrar também que essa eliminatória não é uma disputa qualquer. Barça e City praticamente se neutralizam pela equivalência na filosofia de jogo. E fora de campo, uma rivalidade letal entre a atual diretoria blaugrana e os dissidentes do clube Ferran Soriano e Txiki Beguiristain, arquitetos do projeto em Manchester e contratados expressamente para “barcelonizar” o City. Ganhar essa eliminatória é algo mais que uma disputa esportiva. Virou questão de honra.

Edu: Neymar precisa ser contaminado por todo esse conjunto da obra. Não acho que ele vá tirar o pé, ainda mais depois de toda a tragédia grega que virou o caso da transferência, a ponto de custar uma guilhotina para o presidente. Neymar sabe que estará no olho do furacão, mas talvez precise dos colegas para ter a noção exata da importância do jogo e também por uma questão de confiança pessoal. O certo é que se Neymar perceber que os parceiros de time estão com ele, a coisa anda. Se bem que, mesmo nesse jogo, imagino que Tata Martino não entre com ele como titular de início.

Carles: Assim como Messi não tirou o pé durante nove temporadas e foi muito criticado pelos torcedores argentinos por isso. Segundo eles, o craque optou então pelo clube e deu pouca importância à seleção nacional. Agora, o acosso se inverteu. Complicado agradar a todos. Neymar vai ter que se desdobrar, não tem jeito. Porque quer ser um jogador importante na Europa, competindo palmo a palmo com Crisitano e Messi e porque a Copa, a sua primeira e já como líder, é em território brasileiro. Como se não bastasse tudo isso, tem ainda que se enfrentar aos piores rivais, barrigudos e lentos, mas muito mais ambiciosos, os responsáveis pela tal tragédia grega. Li em algum lugar que a guilhotina anda fazendo suas aparições em Santos…

Edu: Sim, sim, a história que derrubou Rosell está longe de acabar. E, por outro lado, não tenho dúvida de que Ney já recebeu alguns toques de alguém que está por aqui com os poucos cabelos que lhe resta em pé. Felipão anda atormentado com essas lesões, tanto que em Londres há a suspeita de que a fase um tanto morna de Oscar no Chelsea tem a mão do homem. Não sei se com Neymar funcionaria, porque está em seu ano de estreia, pelo impacto de todo esse estrago fora do campo e, principalmente, porque não é do seu temperamento. Mesmo assim, algum cuidado ele terá: convenhamos, enfrentar Kompany, DeMichelis e Zabaleta em um jogo tenso não é  nenhuma Sessão da Tarde.

Carles: Imagino que cada entrada vai causar arrepios em muitos dos torcedores brasileiros. Serão meses longos e a Champions é sem dúvida, a competição que não permite encheção de linguiça, pela visibilidade e pelo peso que vai ter também na disputa pelas últimas vagas nas delegações que viajarão ao Brasil. Até mais que os últimos testes das seleções, que costumam ser mornos.

Edu: Na Champions, com 16 times forrados de jogadores que estarão aqui em junho, quem tirar o pé estará em evidência. Serão três meses de fio da navalha.

 

 

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