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O ‘idílio’ Merkel-Rajoy entra em campo

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

13 de abril de 2013 | 07h44

Edu: A pergunta que provavelmente jamais terá uma resposta: Pep Guardiola, que conhece aquele time como ninguém, vai ajudar o Bayern contra o Barça?

Carles: Não seja por isso, eu respondo: rotundamente não.

Edu: Me engana que eu gosto. Todos – alemães e catalães – darão uma aula de ética esportiva agora? Só falta você me recitar uma poesia.

Carles: Não, não é esse o motivo. Por muito que Pep rode o planeta futebol, no fundo pretende voltar ao Camp Nou, mais cedo ou mais tarde. O coração dele está lá. O título da Champions para o Bayern, na verdade, não lhe favorece em nada. Melhor chegar como um redentor do que com o compromisso de revalidar títulos nacional e continental, não acha?

Edu: Tem lógica. Mas se não acontecer uma suposta colaboração é porque pegaria mal para Jupp Heynckes, um cara que tem história no futebol alemão e não mereceria uma aposentadoria dessas. Só que, se dependesse da direção do Bayern, duvido que eles não armariam uma ajuda básica do futuro técnico, contratado a peso de ouro. Do contrário estaríamos vivendo em um mundo ideal, ignorando o futebol de mercado.

Carles: Fez história no futebol alemão e no espanhol. Não se esqueça de que, em 1998, Heynckes foi destituído como treinador do Real Madrid depois de conquistar justamente a Champions League. Típico do ‘club blanco’. Por outro lado, e dependendo do resultado deste ano, será típico de Jupp também. Seria seu segundo desemprego depois de um grande título. Neste caso, dois. Não que o título da Bundesliga seja terreno desconhecido para o time bávaro, mas com 20 pontos de diferença!!!!

Edu: O certo é que a sombra de Pep, com ou sem colaboração, vai pairar sobre esse duelo. E o interessante é que a imprensa especializada espanhola, como se pudesse ter um senso comum entre madrilenhos e catalães, está tratando o jogo de Munique como explosivo para o Barça e sendo bem mais condescendente com o Madrid em Dortmund. Claro: o Bayern chega mais inteiro que o Barça neste momento. Acontece que mesmo o pessoal da Catalunha parece ignorar o inferno amarelo e preto do Westfalenstadion. Dá a impressão de que só o Barça corre perigo.

Carles: Dos quatro, o Borussia tem praticado o melhor futebol, apesar do tropeção diante do Málaga. Bayern é o mais consistente e vive o melhor momento da temporada, ao contrário do Barça. O Madrid tem muito mais camisa e artimanhas que o seu adversário que, como já disse aqui, tem o problema de juventude. A lógica favoreceria realmente madrilenhos e muniquenses.

Edu: Não descarto uma final Barça e Dortmund, Carlão, sinceramente. O Bayern, um time todo certinho e cartesiano, tem alguns pontos que até a Juve, que é bem matreira, não soube explorar. O time, por exemplo, depende muito de Schweisnsteiger para fazer o jogo girar e ele se movimentou soltinho nas duas partidas contra os italianos. Seus marcadores de meio, incluindo o próprio Schweisnsteiger, têm pegada mas não são rápidos o suficiente para evitar muitos problemas se Messi e Iniesta estiverem em um bom dia. E, no outro jogo, vejo o Madrid muito vulnerável emocionalmente para suportar a pressão em Dortmund, coisa que o Málaga tirou de letra até um certo momento daquele jogo fatídico por ser franco atirador. Mas, no fim, também não resistiu.

Carles: Não, eu também não descarto nada. Na verdade, faz muito tempo que não chegam quatro semifinalistas tão potentes. Tem mais, no caso do Barça, enfrentar adversários teoricamente mais “frágeis” como Inter e Chelsea nas duas últimas semifinais, demonstrou que sistemas complexados  e mesquinhos não convêm ao tipo de jogo do time catalão.  De algum modo, enfrentar o todo poderoso Bayern poderia ser mais proveitoso para as pretensões blaugranas.

Edu: E tem aquela história de o Bayern não ‘trabalhar’ bem a questão do favoritismo. Mesmo assim, dois pontos serão nevrálgicos nesses confrontos: o estado físico e técnico dos jogadores de defesa do Barça daqui a dez dias, para o jogo de Munique, e a capacidade do time do prepotente luso de fazer uma grande diferença no Bernabeu no jogo de volta, usando o chamado ‘miedo escenico’. Com uma defesa improvisada, o Barça, que já é vulnerável nessa região do campo, não tem chance.

Carles: O tempo joga a favor do estado físico do Barça. Quanto mais longe dos efeitos do vírus Fifa melhor para o clube catalão, que parece sempre muito prejudicado pelas datas reservadas as seleções. Não é choro não, é algo constatado, mesmo que os quatro contem com muitos jogadores internacionais em suas filas. E tem mais: se uma das semifinais tem o atrativo adicional de se enfrentarem o ex e o futuro de Guardiola, na outra podem estar se enfrentando o presente e o futuro de Jünger “the joker” Klopp… Confrontos mais quentes que esses, difícil por muito tempo! Quer mais? O permanente arrocho da Merkel no Rajoy…

Edu: Bem lembrado, Merkel pode perpetuar esse ‘idílio’ com os espanhóis. Mas que os céus permitam que, se o Barça cair, Madrid também caia. Ou então, como vamos suportar conviver com o Special One???

Carles: Se finalmente ele passar à decisão, sempre nos restará o Bayern. Qualquer coisa menos o zangado.

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