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Os gregos se servem de um United sem alma

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

25 de fevereiro de 2014 | 20h25

Carles: É certo que foi às custas de um Manchester United em horas baixas, mas eu tinha avisado que o Spanish Olympiakos podia dar mais de um sustinho.

Edu: Michel fez tudo direitinho para aproveitar a falta de alma desse time do David Moyes. Vovô Fergie deve estar alucinado com o que fizeram com aquele esquadrão que botava medo em todo mundo. O Manchester, além de tudo, e sem risco de errar, é o time mais chato de assistir entre todos os 16 classificados na Champions. E tem uma zaga de aposentados.

Carles: O time que Michel montou na Grécia depois de ser dispensado pelo Sevilla ficou ainda mais hispânico depois da saída do artilheiro Konstantinos Mitroglou. Com espanhóis, paraguaios, costarriquenses, argentinos… além de algum português e brasileiro também. Não acho que vá ser tão simples para os ingleses reverterem essa eliminatória em Old Trafford. Uma missão também praticamente impossível para o Zenit diante de um inspirado Dortmund. Parece que Klopp vai recuperando o estilo, sobretudo graças à inspirada dupla Reus e Lewandowski.

Edu: Esse sim foi um jogo bom de se ver, caótico, mas agradável. Luciano Spaletti quis fazer o que não devia e não sabe: jogar no ritmo que interessa ao Dortmund. E só não tomou mais gols porque Klopp visivelmente conteve seus garotos. Um time como o Zenit, feito com talão de cheques e que disputa um campeonato tecnicamente bastante limitado, nunca poderia jogar contra o Dortmund ‘de tu a tu’, como vocês dizem. Com cinco minutos já perdia por 2 a 0 porque tentou acompanhar o ritmo elétrico do inimigo, que sabe muito bem o que faz jogando em velocidade. Aí ficou fácil. Ou seja, o confronto que parecia o mais morno das eliminatórias foi muito melhor do que essa coisa sem graça do Manchester.

Carles: Sobre o Zenit, li em algum lugar que o dinheiro não traz a felicidade no futebol. Aliás, dinheiro só funciona quando acompanhado de bom gosto e ultimamente temos visto como muitos dos projetos milionários, patrocinados por mecenas alheios ao futebol, afundam por falta de uma correta assessoria na hora de ir às compras. Está aí o Tottenham que não nos deixa mentir ou até mesmo o Mônaco. E amanhã, marcamos mais duas colunas dois – Mourinho e Ancelotti sem surpresas, não?

Edu: Pois é, falando em grana… Muita grana em campo. Mas só uma pane emocional pode provocar alguma surpresa, se bem que não é fácil jogar tanto em Gelsenkirchen quanto no inferno turco. E o Madrid tem um péssimo histórico contra adversários alemães jogando fora de casa. O problema é que esse Schalke é bem fraquinho.

Carles: Outro time sem alma que faz água na Bundesliga e tampouco convence com seu jogo. A torcida vai pressionar, contando com o bloqueio mental dos ‘blancos’ quando jogam em território alemão, em 25 jogos, uma única vitória – aquele 2 a 3 em Leverkusen com um gol num coice de Roberto Carlos, contando com a malandragem de Luís Figo que mudou a bola do lugar da falta. E o inferno turco também anda um tanto descafeinado ultimamente. Amanhã o espetáculo está garantindo nas arquibancadas.

Edu: Mesmo que, internamente, tanto na Espanha quanta na Inglaterra a torcida dos adversários seja por uma zebra, não vale a pena neste momento. Seria um desperdício deixar os dois gigantes de fora já nas oitavas de final, já basta o fiasco do Manchester e dos times italianos. Seria péssimo para as Noites de Champions.

Carles: Seria deixar o caminho livre demais para o favoritíssimo Bayern. Pelo menos que a moçada de Pep tenha alguma possibilidade de encontrar um ou outro osso duro até botar a mão na taça.

 

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