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‘Pachanga’ em Madrid antes do clássico que decide a Liga

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

18 de março de 2014 | 20h29

Carles: Gostou dos dois amistosos em plena fase de oitavas da Champions?

Edu: Não são só algumas ligas nacionais que têm trocas de guarda, sessão de carimbos e outros trâmites. Duas coisas chamaram a atenção: a lesão aparentemente grave de Jesé e a alucinante recepção de Stamford Bridge a Didier Drogba.

Carles: Merecida homenagem ao marfinense, que também fez questão de pedir a benção para o padrinho Mourinho. Pobre Jesé, complicaram-se de vez as pouquíssimas possibilidades de ser chamado por Del Bosque. O jogo do Bernabéu para mim valeu para ver uma vez mais as evoluções do craque que faz parte da linhagem dos Ademir da Guia, Bergkamp, Zidane… Isco talvez não seja o tipo de jogador moderno desejado pelos técnicos, mas permite ao torcedor revisitar a plasticidade do futebol mais clássico e romântico. Talvez demasiado romântico.

Edu: Você sabe muito bem que esse atraente romantismo funciona às vezes como um tiro no pé: na hora da competição, geralmente, é o primeiro a ser sacrificado. Isco é como um filme cult, para poucos e bons, e parece ser um jogador com sensibilidades especiais também. Não é feito para suportar pressões em excesso, precisa de uma liberdade que raramente vai encontrar em um clube de ponta europeu. Talvez faça parte do aprendizado, mas já vi vários jogadores como ele serem esquecidos nas grandes ocasiões porque são submetidos a sacrifícios que não condizem com suas habilidades. Se for um período de aprendizado, tudo bem, mas que não mexam nas raízes.

Carles: Essa liberdade também pode ser conseguida com protagonismo, e não me refiro só ao efeito autoestima, mas a que o tipo de jogo cadenciado e aparentemente lento possa ditar o ritmo de algum time, sem que tenha que se submeter às estocadas e ao estilo de atletas de fundo como Cristiano, Bale ou Jesé. Hoje, são eles que ditam o ritmo do Madrid lá na frente, enquanto, no meio, Isco também não encaixa por ser menos combativo que Xabi, Modric ou Di María. Atualmente, Isco é um desterrado no Madrid de Ancelotti, apesar de o italiano ter tentado tirar o pó dele nesse jogo, também de um Morata com zero confiança e de Casemiro. Mas que eles não fiquem muito animados, o jogo de hoje teve clima de ‘pachanga’. Menos para o português que compete até para chegar primeiro no refeitório.

Edu: Quando Casemiro substituiu Xabi ficou evidente que estávamos num autêntico casados-e-solteiros. Ancelotti – exceto pelo lance com Jesé – deve ter passado o tempo morto que durou o jogo imaginando as armadilhas para o Barça no clássico que decide a Liga, domingo. Ao contrário, em Stamford Bridge, foi pau puro o tempo todo. Lógico, Felipe Mello estava em campo. E o Chelsea não poderia perder a chance de talvez ser o único britânico nas quartas de final, a menos que o United dê uma ‘campanada’ e pegue o último comboio amanhã contra os gregos de Michel.

Carles: Reza a lenda que quando Mello está em campo, as apostas são pelo minuto em que vai ter cartão e a cor do mesmo. Amanhã tem outro amistoso em Dortmund, apesar de que o seu amigo Jürgen andasse poupando algum que outro jogador e, em parte por isso e em parte graças à atuação do brasileiro Raffael, tomou em casa do outro Borussia, o de Mönchengladbach, na Bundesliga. Já em Old Trafford, vai ser um pega pra capar. Torço, mas não ponho minhas fichas nos gregos.

Edu: Para Moyes é ou sim ou sim. Está claro que o United, se passar, não tem chance de ir muito longe, mas cair em casa diante de um ‘segunda linha’ do futebol europeu seria o último e inevitável suspiro, por mais que o cartucho de Ferguson seja poderoso. Em Manchester, você deve saber, circula uma lista de substitutos que tem um favorito disparado: Cholo Simeone. E o técnico do Atlético levaria a tiracolo ninguém menos que o Demolidor de Sergipe, Diego Costa.

Carles: É, essas notícias chegaram por aqui. O Pantera de Lagarto já esteve na agenda de praticamente todos os grandes de UK. Cholo começa a aparecer agora. A verdade é que não me imagino um United com a cara de Simeone, se bem que o time dos Red Devils não tem nenhuma cara, atualmente. Eu aposto numa segunda chance para Moyes, nem que seja como forma de os dirigentes do clube reafirmarem sua altivez e seu pretenso profissionalismo, como um tapa com luva de pelica no resto do futebol, cada vez mais fugaz.

Edu: Materialize essa aposta – você corre o risco de beliscar umas 30 libras para cada uma que colocar na mesa.

Carles: Tudo ou nada, como para o próprio Moyes, amanhã.

 

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