As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Pausa para duas ‘pachangas’ no Oriente

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

27 de setembro de 2013 | 10h06

Carles: Como foi a última reunião da família Scolari? Muitas novidades?

Edu: Não muitas, exceto talvez Lucas Leiva, um volante (claro!) muito admirado pelo Felipão, que tem feito bons jogos pelo Liverpool e vive seu melhor momento desde a contusão grave de dois anos atrás. Além dele, duas substituições por lesão: Thiago Silva abriu vaga para Dedé e Júlio César deu lugar a Victor. O pior é que, em pleno outubro, os times daqui e da Europa vão ficar sem seus principais brasileiros para um tour light ao Oriente, em jogos contra duas potências: Coréia do Sul e Zâmbia.

Carles: Joguinhos de convivência, suponho, para manter o grupo unido, a maior parte do tempo num avião, o mais novo centro de concentração para atletas. Vai bem para aquelas fotos no twitter com o colega babando na poltrona. E a gentileza de ceder o Diego Costa que, pelo que tudo indica, vai estar de “rojo” nos próximos jogos da eliminatória europeia. Veremos se ele é o mesmo sem Simeone. Não entendi bem o Pato, será que estamos tentando forçar a presença de um corintiano no jogo de estreia, na Arena de Itaquera?

Edu: Pato só está aí porque Fred não está e Felipão não faria nenhuma concessão ao Corinthians, pode estar certo disso. Aliás, o corintiano na abertura em Itaquera será Paulinho, o de sempre, ou Gil, o melhor zagueiro de São Paulo hoje, mas isso se Parreira convencer Felipão. O problema continua sendo a falta de sensibilidade porque manter grupo unido obrigando os caras a suportar uma odisseia dessas é burrice. Vejo desde já nos jornais daí uma indignação por liberar os jogadores para fazer duas ‘pachangas’ no Oriente (contra Zâmbia será em Pequim). Neymar e Dani Alves jogam no sábado, dia 5, contra o Valladolid e seguem viagem. Na volta pegam o Osasuna e em seguida o clássico contra o Real Madrid. A chance de uma contusão é imensa. O mesmo para Marcelo, que nem recuperado está, e também para a legião brasileira do Chelsea, para Paulinho no Tottenham, Maicon na Roma… Você tem dúvida de que, no fim de semana anterior à viagem, alguns deles acusarão uma leve lesão muscular e serão dispensados?

Carles: Como já comentamos aqui, essa disputa entre seleções e clubes pelos jogadores este ano vai dar muito pano pra manga. E tendo o Gil em grande fase, por que recorrer a Henrique que está disputando um torneio sem o nível de competitividade necessário. Fica a sensação de que é uma tentativa de não abrir nenhuma possibilidade de ruptura no grupo familiar, como se a convocação fosse sem a mínima vontade de que estejam na Copa, caso do Pato e até do Leiva, de quem já se conhece as possibilidades. Imagina se um dos garotos arrebenta e Scolari é obrigado a receber uma pressão popular indesejada?

Edu: Os laços da família estão assegurados, por mais que a Comissão Técnica venha a público dizer que há vagas abertas, que a concorrência continua e esse trololó todo do gosto do Felipão. Até Lucas Moura, que não jogou nada nos últimos meses e hoje esquenta banco no PSG, continua sendo chamado. O fato é que pode haver alguma dúvida mínima entre os reservas, talvez um dos goleiros, talvez uma disputa entre Henrique – peixinho do Felipão na época de Palmeiras – e Rever ou Dedé. Mas o resto está definido, com duas mudanças em relação às Confederações: Filipe Luís sai para entrar Maxwell e Ramires ganhou um lugar no meio-campo no lugar do Jadson. O resto é detalhe, o que reforça a estupidez de submeter uma trupe desse tamanho a um tormento de uma semana do outro lado do mundo.

Carles: Bom, até acho que são duas mudanças justas, apesar de que nenhum dos dois sejam jogadores do meu agrado, parecem mais úteis ao grupo. Ramires já cumpriu o castigo imposto pelo paizão austero e disciplinador e o PSG segue com a sua linha direta com o Brasil, aliás muito mais conectado que muitos clubes brasileiros. Pelo que li ainda teve uma análise da história contemporânea do Felipão sobre os vínculos nacionalistas e a necessidade de voltar a regulamentar as verdadeiras raízes dos atletas com as suas nações. Claro que o tom não foi esse e, sim, aquele de sempre, carregado de deboche e “fina” ironia. Confesso que não vi a conferência do professor. Foi isso mesmo?

Edu: Foi justamente sobre a história de a Espanha convocar ou não Diego Costa. Senhor Scolari bradou contra Fifa, dizendo que é uma atitude de meio século atrás permitir que jogadores de outras nacionalidades defendam seleções que não sejam as de seus países de origem. É piada pronta, Felipão criticando de atitudes retrógradas.

Carles: Falando em piada, tem um programa de humor na televisão catalã, ‘Crackòvia’, que eu recomendo, que imita e satiriza todos os principais personagens do futebol e que inexplicavelmente ainda não tem o Felipão. Bom, com toda a tranquilidade, agora, provavelmente a Federação Espanhola de Futebol deve anunciar o Diego antes do derby madrileño de amanhã, algo que tradicionalmente faz com que os jogadores realizem partidas ruins. Mais uma mãozinha para nosso velho e bom clube merengue, como se não bastasse o pênalti no Pepe aos 93 no jogo de meia de semana, em Elche.

Edu: Temo que Diego terá feito a escolha certa ao preferir a Família Del Bosque.

Carles: Fico torcendo.

Sketch do programa Crackòvia da TV3, da Catalunha, antes da contratação de Neymar pelo Barça

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: