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Poucas surpresas e alguns bondes circulando

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

31 de janeiro de 2014 | 22h29

Edu: Fim da janela. Muitos brazucas circulando e pelo jeito um dos times que mais se movimentou foi o do seu ‘pueblo’.

Carles: Mais do que uma janela, no Valencia foi uma porta dessas giratórias com muita gente saindo – Canales à Real Sociedade, Pabón ao São Paulo,  Banega ao Newells – e outros entrando. Aí, tem sempre as coisas típicas dos dirigentes do meu ‘pueblo’, tais como a pérola Senderos. E outras que podem até dar certo como o veterano carrega-pianos Keyta. Mas o que interessa mesmo é saber do Vinicius Araújo. O que podemos esperar do garoto?

Edu: É uma das revelações do campeão brasileiro. Formado no Cruzeiro mesmo, é um aposta boa, um atacante de habilidade, que se movimenta bem, não é trombador e sabe fazer gols. Talvez o melhor seja que completa 21 anos em fevereiro, tem muito a aprender e pode estar no lugar certo. O Valencia pode ter até uma pressão interna, mas é diferente se fosse para um clube de ponta sendo um jogador ainda em formação. Não foi titular, mas fez nove gols na temporada.

Carles: Boa notícia, ninguém conhece por aqui. Enquanto isso, no Atleti, infestação de Diegos e finalmente o Ribas volta a se vestir de colchonero, uma história de amor com muitos meandros.

Edu: Engraçado o caso do Diego. Parece que foi um empenho pessoal de Cholo Simeone, certo? Mas por aqui, como conhecemos bem a figura, ficamos imaginando como pode fazer sucesso num time tão operário um jogador como Diego, um tanto dispersivo na marcação, malemolente, irregular mesmo.

Carles: Talvez seja essa a tentativa do Cholo, de não cair na mesmice, de renovar o estilo e colocar essa dose de caos que bem aproveitada, pode ser um fator surpresa. Acho que, no fundo, ele está abrindo espaço para o Oliver Torres que vai amadurecer um pouco, jogando emprestado no Villarreal. Vai ser bom para todo mundo. E falando em brazucas, surpresa para mim pelo menos foi a ida do Hernanes para a Inter, ele tem a cara do meio de campo ‘nerazzurri’, dos Cambiasso & cia.

Edu: Não sei, sinceramente. O certo é que iria ficar marcando passo na Lazio e talvez seja esse o principal motivo da mudança. A Inter é hoje um time sem estilo, com um ataque fraco, não sei até onde Hernanes pode chegar por lá. Mas talvez seja uma forma de se reinventar mesmo, de buscar uma projeção que ele não teria jogando em Roma por tanto tempo. Hernanes e Diego foram, ao lado de Henrique, as três maiores negociações de brasileiros. Henrique deixou o Palmeiras e está lá com seu amigo Rafa Benitez, no Napoli.

Carles: Imagino uma zaga formada por Albiol e Henrique e fico com vontade de tentar fazer uns golzinhos, eu mesmo. Os mercadores invernais também não param na sua queridinha Premier. Kross que não encaixa mesmo nos planos de Guardiola, quase foi fazer companhia para Mata no time ideal de Moyes (ou do Rooney?), mas a transação provavelmente fica adiada para o verão europeu. Parece que os Red Devils decidiram não seguir esperando pelo ex-futuro sucessor de Cristiano, Nani que tem os dias contados em Old Trafford. E o Fulham levou o artilheiro Mitroglou do Olympiakos, deixando o time de Michel praticamente sem chance nenhuma nas oitavas da Champions.

Edu: Tivemos outros brasileiros mudando de ares. Marquinho, o bom meia da Roma foi para o novo paraíso brazuca, o Hellas Verona; Rafael Toloi  chega para o lugar de Burdisso na Roma; Fábio, o gêmeo de Rafael do Manchester, agora vai cometer suas imprudências no Cardiff; e Paulinho, o ciscador atacante do Livorno, também foi para a Premier, ao Southampton. Mas não posso deixar de escolher os três maiores micos da janela. Um deles é seu velho conhecido, Senderos – pobre zaga do Valencia. O outro é Pablo Osvaldo, que agora vai criar seus muitos problemas na Juve e certamente estorvar a vida dos colegas, entre eles Llorente. E, por fim, lamento pelo desvalido Bologna, que ficou com o maior bonde que o Corinthians contratou nos últimos anos, Ibson.

Carles: Mico é com o Valencia. Para os desavisados, um nome meio conhecido como é o caso do bonde suíço pode ter um efeito analgésico. Digo mais, ele tem o estilo do clube. Vai viver noites gloriosas em que vai levantar a ingênua torcida local com algumas jogadas de raça, mas provavelmente vai virar a alegria de Messi, Neymar, Cristiano… para a zaga valencianista é trocar seis por meia dúzia. Osvaldo, pelo menos, é sangue novo. Quanto ao caso Ibson, imagino que, como tantos outros, é o chamado negócio YouTube, em que o editor do vídeo com os melhores momentos é o verdadeiro craque.

Edu: Mas esse editor teve que caprichar muito ou encontrar um sósia. Não me lembro da nada de proveitoso que Ibson tenha feito nos últimos três anos, pelo menos, em todos os cantos por onde andou.

Carles: Você sabe bem que esta janela é a do desespero, em que os times na corda bamba como Valencia e United (guardadas as proporções) são o alvo favorito dos agentes espertalhões. Os dirigentes precisam ganhar algum fôlego e esperar que a sorte mude. Só que alguns têm o dom de piorar o que já estava ruim. E ainda pagam por isso.

Edu: Mesmo assim, já que muitos grandes times não se moveram e nem precisavam – Barça, Madrid, Bayern – os dois maiores negócios da janela foram fechados na Premier, Mata-Manchester, Matic-Chelsea. A grana ainda corre solta por lá.

Carles: A grana está toda lá, faz tempo.

 

 

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