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Que venham todos os gigantes

Carles Martí e José Eduardo de Carvalho

11 de outubro de 2013 | 20h40

Carles: Sem susto não tem graça.

Edu: O Marquês complicou um pouquinho, mas agora parece que está tudo resolvido.

Carles: Falta um pontinho ainda, nem achei tanta responsabilidade de Del Bosque, muito pior o campo pequeno, a grama horrível e a ansiedade do time, impreciso no último passe. Até gostei da tentativa dele, começando o segundo tempo com três na defesa.

Edu: Mas em certo momento eram cinco caras armando o jogo, embolando pelo meio. E terminou com uma bagunça geral, depois de o time sofrer o golzinho de contra-ataque. Era preciso abrir o jogo com Navas, uma saída tão velha como o próprio futebol, o caminho pelas pontas, tanto que por ali saiu o segundo gol. Mas, tudo bem. O que importa é que já começo a planejar a vinda dos amigos espanhóis. E de outros gigantes também, até da Inglaterra.

Carles: O que Navas podia acrescentar, Pedro resolveu bastante bem. Talvez o problema tenha sido começar com Michu que é mais um ‘segundo punta’ e, pior, desentrosado e sem Negredo (à falta de Diego Costa), nem Koke. Quando o time ficou com três zagueiros, a cobertura teria sido maior no centro com o jogador do Atlético, já que Cesc esteve mas não veio. A melhor notícia é a ótima forma de Xavi, com maior mobilidade que a maioria da garotada, tanto no Barça como na seleção. Aliás, alguns jogadores do Barça pareciam novinhos em folha. Acho que Del Bosque tem que agradecer as rotações do Tata.

Edu: Não me parece mais que a questão seja ficar discutindo se a Roja precisa de um centroavante ou de um falso 9, de um ponta ou dois pontas, se é Negredo, Michu ou Soldado… A verdade é que a Espanha não tem um grande atacante, nem Pedro, que ajuda bastante mas não tem estatura para liderar um ataque. Não há mais nenhum motivo para deixar de incorporar o melhor jogador de área da Liga, Diego Costa. Infelizmente para nós, fica cada vez mais claro.

Carles: Pelo que eu tenho ouvido, Diego Costa já está com tudo apalavrado com Del Bosque, almoçaram juntos e já se acertaram. Por certo, o senhor Scolari tem a capacidade da inconveniência, não tanto pela seleção espanhola, mas por como as suas declarações possam afetar ao Diego. Mas isso vai ser resolvido com calma, depois das eliminatórias. Paciência é o que os vizinhos aqui de península estão ficando sem nenhuma, com sua seleção. Jogando em casa, Portugal se autodescartou, tomando o empate num erro bisonho, na saída de bola com os pés do goleiro Rui Patrício, quando faltavam só 4 minutos de jogo. O detalhe é que, uns segundo antes, Pepe tinha arrumado uma daquelas confusões gratuitas e o episódio pareceu tirar os lusos definitivamente do jogo. Mesmo ganhando, era complicado tirar o primeiro lugar dos russos. Agora é impossível.

Edu: Nenhuma novidade quanto a Portugal, a incapacidade de sempre, uma síndrome crônica para definir jogos, o que parece um contrassenso para um time que tem Cristiano Ronaldo. Agora vão ter que se ver com a repescagem.

Carles: Na seleção, Cristiano é só vontade e desperdício de um montão de talento. Paulo Bento constrói times desequilibrados, desordenados. Não vai ser fácil o caminho deles até a Copa, mesmo porque, ficou provado, vão ser vários times complicados na repescagem, no playoff, como dizem os senhores da FIFA.

Edu: Então, além da possibilidade de cruzar com a França, aos patrícios, por essa merreca que estão mostrando, não seria bom negócio sequer jogar contra times como Turquia, Ucrânia ou Suécia. Por outro lado, a Inglaterra brincou um pouco com os fantasmas, mas no final suas individualidades resolveram. E que timaço esse da Bélgica! Melhor campanha das eliminatórias da Europa – 25 pontos em 27 possíveis – e um retorno à Copa em altíssimo estilo, sob o comando de Hazard e a contundência do atacante que foi desprezado por Mourinho no Chelsea, Lukaku.

Carles: Pouca gente deixou de lembrar de Mourinho ao ver essa versão rejuvenescida de Drogba. Sem esquecer um grande Curtois lá atrás. Doze anos a Bélgica demorou para voltar a uma Copa e vai fazê-lo com grande estilo. Os Países Baixos em alta – a vizinha Holanda meteu 8 na Hungria e também chega sobrada à Copa.

Edu: Para o banquete ficar completo só faltam passar, entre os campeões mundiais, a França e o Uruguai (desde que a Inglaterra confirme contra a Polônia). Os uruguaios precisarão de um ponto contra a Argentina na última rodada para ter uma repescagem à la carte, contra a Jordânia, um verdadeiro creme de papaia. Por aqui também devem estar Alexis e Arturo Vidal, já que o Chile só precisa de mais um ponto ao perder a chance de vencer na Colômbia depois de fazer 3 a 0 no primeiro tempo (no final, 3 a 3). O Chile vai definir em casa contra o Equador, que também só precisará de um pontinho. A coisa está ficando cada vez melhor para o ano que vem.

Carles: Então, esse Chile pode ser uma surpresa, estão cada vez mais ajustados, com craques como os que você citou e um Gary Medem que nunca deixa a intensidade baixar, nessa equipe armada ao estilo argentino.

 

 

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