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Respeito demais é do que o Barça gosta

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

18 de fevereiro de 2014 | 20h02

Edu: Quando o inimigo respeita mais do que devia, aí é mais complicado ainda segurar o verdadeiro Barça. E poderia ter sido pior para o City.

Carles: Verdade, se bem que hoje ficou claro que o City não tem o mesmo poderio que o Barça, nem o mesmo fundo de armário, o pior foi não ter sido o City e, inesperadamente, esperando o Barça atrás, já desde o princípio. O mais curioso é que Fàbregas já tinha previsto essa atitude do adversário numa entrevista à BBC, apesar de jogar contra o time mais goleador da Europa.

Edu: É dessas coisas inexplicáveis quando se prepara uma estratégia de jogo. O City jamais jogou assim. Faz uma campanha modélica na Premier League quanto à proposta ofensiva e qualquer um sabe das deficiências defensivas do Barça. Por que renunciar ao ataque, então? Jogando em casa, com tudo a favor e, mesmo assim, renunciou ao jogo, ofereceu a bola a quem tem pós-graduação nesse quesito. Kolarov e Clichy no mesmo time? E numa formação visivelmente incômoda, principalmente para os jogadores de meio de campo? Hummm, Pellegrini pisou feio na bola.

Carles: Visivelmente, e até com certa razão, Pellegrini temia o lado direito do Barça. Valorizou em excesso a ameaça do conterrâneo Sanchez, jogador de lampejos mas pouco regular. Além disso, me pareceu que Fernandinho jogou mais amarrado que o habitual. Inclusive as substituições foram estranhas já que no primeiro tempo foi o triângulo espanhol Navas, Negredo e Silva que levou algo de perigo. O castigo definitivo para os pecados do ‘Ingeniero’, chegou com o pênalti fora da área (difícil para o juizão) e a expulsão do glorioso Demichelis.

Edu: Da minha parte não tenho dúvidas sobre o pênalti, no máximo foi sobre a linha. Mas não só Fernandinho estava se sentindo mal no esquema inusitado, amarrado para o estilo do City. Yaya Touré também esteve longe de ter aquela desenvoltura. Tata Martino, que de bobo não tem nada, já previa que neste jogo especificamente era preciso segurar a bola, ter paciência. Alguma bobagem aquela defesa ia fazer. Só achei que depois da expulsão faltou um pouco de ambição ao Barça para fazer mais uns dois gols pelo menos e sentenciar. Até chegou a recuar num certo momento e tomou um pequeno calor com o perigo de sempre, as bolas altas na área.

Carles: Imagino que o Barça ficou esperando o bote do adversário que, na verdade, nunca veio. Insisto que se a postura do City pode ter surpreendido a muita gente, desde o Barça já se esperava. Na tal entrevista, Cesc fala que Pelegrini tentaria “an exciting tie”. Coisa estranha essa bola de cristal para um duelo em que quase todo o planeta futebol previa uma equivalência de filosofias. Falando em ambição, impressionante a capacidade de preservação de Messi que, quando sentiu que a coisa estava resolvida, apalpou o escudo AFA debaixo da camisa azul e grená e voltou a puxar o freio de mão.

Edu: E perdeu a chance de fazer um gol de tiralinhas numa combinação com Neymar, ali no finalzinho. Outro fator decisivo: Iniesta está como Iniesta. O passe do pênalti, algumas iniciativas que deixaram o lado direito do City em pânico e aquela chispa quando ninguém imagina que pode acontecer algo de útil. Craque é para isso.

Carles: Um primeiro tempo primoroso de Andrés, e acho que tem algo de dedinho do Tata que enxergou que às vezes mais recuado, Iniesta pode fabricar mais futebol, pensar com um pouco mais de liberdade, protegido pelos escudeiros Busquets e Fàbregas. Na verdade hoje o falso 9, o que apareceu muitas vezes de pivô para tabelinhas com quem vinha de atrás foi Xavi. A boa notícia principalmente para Del Bosque é que alguns valores de La Roja parecem recuperar a forma na medida em que a Copa se aproxima. E Ney entrou muito bem, à vontade.

Edu: E justamente a moçada que propõe o jogo, os quatro do meio de campo (se bem que o Marquês não vai abrir mão de Xabi Alonso). Agora tem a volta no Camp Nou. Dá pra dizer que é um trâmite? Neymar titular, finalmente? Ou vamos ter que fazer um abaixo-assinado para o Tata?

Carles: A lógica diz que sim, que não deve sair Alexis, mas que provavelmente Xavi ou Iniesta comecem desde o banco. Cesc fica, pela trabalho constante que dá aos treinadores ou porque o Tata tem medo de cara feia, não sei bem. Trâmite? É provável, apesar da volta de Agüero. Hoje, dois dos treinadores considerados revelação, Pellegrini e Hyppiä, parecem dar adeus à competição, justo da mão de dois que chegaram para um mandato tampão, Martino e Blanc.

Edu: Vi de rabo de olho o jogo de Leverkusen e só serviu para comprovar: que todo mundo fique atento a esse PSG. E sobre Cesc Fàbregas, sigo desconfiado. Oscila demais e destoa no ritmo de toque do resto do time. Mas deve ter um belo cartucho porque conseguiu o respeito do técnico. Já é um mérito. E vamos fazer justiça, não só pelo gol, mas Dani Alves fez um partidaço.

Carles: O melhor Dani está de volta e como sempre, continua vive a sempre ameaçada relação de amor e ódio dele com a “culezada”. Outro do Barça que fica no ponto às vésperas da Copa.

 

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