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Robinho se ajeita com 20 minutos

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

31 de outubro de 2013 | 22h35

Carles: Felipão já se conformou ou é só um silêncio estratégico? Para o lugar de Costa, um jovem valor…

Edu: Robinho conseguiu uma boquinha com menos de meio tempo de bom futebol contra o Barça. Mas teve o Willian, esse sim um teste válido.

Carles: Merecido, você insistiu várias vezes na chamada do ex-corintiano. Pois é, Robinho teve 20 minutos muito ativos em San Siro contra o Barça, mas não só ele, Kaká também foi muito bem. E ontem meteu um golaço. Será o próximo?

Edu: Acho difícil que ele volte na reta final, a menos que tenha uma sequência alucinante. Robinho, estou quase certo, é coisa do Parreira, que valoriza muito a experiência de Copa de certos jogadores. Ele vive se gabando de ter levado na empolgante Seleção de 1994 caras que tinham fracassado quatro anos antes, entre eles Dunga e Branco. Mas continua sendo Fred o titular, Jô o reserva e nas outras vagas mais ofensivas talvez tenha uma disputa entre Lucas Moura e Willian, não mais do que isso. Robinho dificilmente segue.

Carles: Então, certamente, a não convocação de Lucas Moura é uma espécie de castigo? Bom, alguma possibilidade o Robinho deve ter, caso contrario não se entende bem essa chamada. Se é para completar o grupo, poderia chamar um jovem, para testá-lo. Ou ele ficou sem nenhuma opção depois de perder Diego Costa? Quando ele começou a batalha pelo jogador do Atlético que, por certo voltou a marcar seu golzinho em Granada, disse que ele estava numa lista de 45 jogadores. Robinho estava nessa tal lista?

Edu: Eu diria que é mais uma jogada política, para dizer que está atento a todo mundo e deixar mais esperto quem considera que já tem vaga garantida. Para justificar o Robinho, Felipão citou o exemplo de caras experientes que ele levou para Copa de 2002. Falou em Vampeta e Edilson, imagina… Foram figuras totalmente decorativas na Copa da Coreia e Japão. Só ficavam no batuque. A menos que ele considere o batuque essencial. Sobre a tal lista, para te falar a verdade, ninguém viu por aqui, e o caso de Lucas Moura é um visível castigo.

Carles: Imaginei que era um ‘mandrake’ do homem. Outra boa novidade é o Marquinhos. Para compensar ele chamou também o Júlio César que nem no banco de reservas do seu time da Segundona inglesa ficou, e Thiago Silva, depois de mais de um mês parado.

Edu: Nunca se sabe por que Felipão faz isso, deve ter lá suas razões. Não se justifica chamar o Julio. E Thiago pode estar indo para recuperar a forma, ajudar a enturmar o Marquinhos, sei lá. O que mais chamou a atenção na entrevista foi a irritação do técnico com as perguntas sobre Diego Costa, às quais, aliás, ele não respondeu, dizendo que esta é uma página virada. Mostrou sua ira com um repórter que lembrou o fato de ele ter treinado Portugal, e convocado brasileiros como Pepe e Deco, bem como Parreira, que defendeu várias seleções. Obviamente se negou a comentar e, espumando, disse apenas que era uma observação ridícula.

Carles: Não dá né? Impossível conversar com gente assim. Se ele não tivesse levado essa questão do Diego Costa para o terreno da crispação, não teria ficado essa sensação de derrota, que aliás não existe, e ele não se mostraria tão irritado ao falar sobre o assunto. Por certo, nem Diego, nem Del Bosque, nem a federação espanhola responderam às provocações. Mais que uma briga foi um birrento monólogo. Esperemos que ele equilibre essa falta de habilidade para lidar com uma situação complicada fora de campo com grandes estratégias lá dentro.

Edu: Agora o estrago está feito e muita gente entrou na dele, incluindo a CBF e um grupelho, felizmente bem pequeno, da mídia que fica dando asas ao homem. No mais, serão jogos contra dois classificados para a Copa – Honduras e Chile – que podem dar bons resultados técnicos, desde que ele faça rotações, porque não é justo, por exemplo, expor sempre quatro ou cinco jogadores que estão 90% do tempo jogando na Seleção, como David Luis, Paulinho, Dani Alves, Oscar e principalmente Neymar. Não acredito que a Comissão Técnica fique insensível a isso.

Carles: Insisto no tema dos goleiros, já bastante complicado pela falta de jogadores brasileiros de garantias na posição, e que eles estão conseguindo complicar ainda mais, tirando toda a confiança de um possível reserva de Julio César. Depois de ter fechado aparentemente com Jefferson e Cavalieri, agora tem chamado Vitor do Galo. Justamente numa posição em que a continuidade é fundamental, não tem família Scolari?

Edu: Tem sim, e muito. Um dos pais da família é Julio César, não há dúvida. Só que nessa convocação tem outra mensagem embutida destinada a Cavalieri e a Jefferson, porque, dos três, incluindo o Vitor, um vai sobrar. É a psicologia de folhetim da Comissão Técnica, fazer os caras trabalharem eternamente sob uma pressão extra, como se nos seus clubes eles já não tivessem pressão suficiente.

Carles: Às vezes dá a impressão de que essa família mora na Casa-Grande, regida por velhos códigos em que se castigam os desobedientes e se premia a lealdade. A sorte desse paizão austero e rabugento é que tem uns quantos moleques nesse grupo que compensam no campo essa insistência em agir de forma provocativa.

Edu: O pior é que, desse mesmo jeitão, a família já ganhou um título mundial…

 

 

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