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Stamford Bridge não quer um Luis XIV

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

16 de abril de 2013 | 05h21


Edu: Consta que Mourinho fez uma proposta com tal nível de exigência ao Abramovich que sua transferência para o Chelsea fez água, segundo o Daily Mirror (o que é, no mínimo, duvidoso). Queria implantar em Londres um sistema de controle absoluto, padrão Luis XIV, e o russo não engoliu. Somando-se a esse cenário a campanha da ‘Casa Blanca’ na Champions e a volúvel imprensa da capital, agora mais propensa a acariciar o lusitano, aquela previsão de que o Madrid estaria sem técnico ao final da temporada parece que está virando fumaça.

Carles: Definitivamente Román não é Florentino, se bem que tenham alguns pontos em comum quanto à avaliação e escolha de colaboradores. Um dos indícios da possível permanência do português é que, de repente, os agentes de Casillas começaram a se mexer e plantar notícias sobre clubes interessados, também da Premier, no capitão. Aliás, pelo visto, no fim das contas, Iker foi quem peitou a comissão portuguesa mais o micróbio do Karanka. As más relações de Casillas com a comissão técnica parecem ter degringolado em virtude dos seus seguidos atritos com o também português Silvino Louro, treinador de goleiros e clone de guarda-costas. E Florentino Pérez necessita desesperadamente que pelo menos uma das suas apostas dê certo. Porque até agora…

Edu: E tem o episódio Sérgio Ramos, que andou sendo estranhamente elogiado pelos coleguinhas do Barça. A imprensa esportiva catalã, que aliás, no geral, tem um nível de confiabilidade semelhante ao de seus colegas de Madrid, andou até sugerindo que o andaluz interessaria ao Barça, caso Mourinho seguisse em Madrid.

Carles: É, mas o Ramos anda quietinho. O treinador já o ameaça com a mesma tática que utilizou para rebaixar o poder de Casillas. Só que em vez do banco, com Sérgio o castigo é deslocá-lo para a lateral direita, justo quanto ele alcançou seu melhor momento da carreira como central. Aliás, Ramos já jogou de lateral no domingo, em San Mamés.

De quebra, é uma forma de vingar-se de Del Bosque, que conta com o andaluz como central para a seleção.

Edu: De qualquer jeito, o que era impensável há duas ou três semanas começa a fazer sentido, sob a batuta de Florentino. As exigências de Mou ao Chelsea teriam uma característica de plenos poderes, controlar todas as divisões de base, desde a ‘cantera’, administrar contratos de jogadores, definir todos os escalões das comissões técnicas e médicas, ter carta branca para contratar e se desfazer de quem bem entendesse e manejar suas cartilhas de comportamento. Ou seja, assumiria a função de manager geral. O russo ficou assustado. Estaria, então, se fechando mais uma porta para Mou, que não teria muitas opções de times de ponta para treinar, na sua decantada condição de ‘Special One’. Restaria um ano sabático, como o de Pep…

Carles: Demasiada sede de focos a dele, para um ano sabático. Para piorar, Benitez segue com seu particular desentendimento com as arquibancadas dos ‘blues’ e sem convencer ninguém. Hoje a rumorologia  em Madrid voltava a apontar em direção a Carlo Ancelotti, já que, pelo visto, as recentes declarações de Jürgen Klopp, debochadas e politicamente incorretas sobre seu próprio traseiro, parecem não condizer com o manual de boas maneiras do “club blanco”. A verdade é que a imprensa, interessada ou não, parece desorientada, presa das “informações” que recebem das assessorias de cada um dos envolvidos.

Edu: Ancelotti se tornou um técnico bem mais político depois de sua convivência com Abramovich e mais agora, com os magnatas do Catar. Mas dificilmente teria estômago para conviver com os caprichos da turma de Florentino e com a imprensa de Madrid, italiano que é.  A raiz de tudo é o mesmo ambiente que levanta as dúvidas em torno de Mou. Os resultados apontam para que ele permaneça, mas a química ali é complicada e, no primeiro tropeço, voltaria aquele clima infernal nas relações humanas. Só mesmo o título da Champions serviria para as coisas se acomodarem um pouco.

Carles: Ao primeiro tropeço, o clima infernal se multiplicaria. Mourinho e  respectiva equipe sustentam-se em cima, principalmente, das vitórias recentes sobre o Barça e de algumas goleadas, que aliás conseguem também o Barça e até mesmo o Atlético sobre adversários muito frágeis da Liga Espanhola. Não é suficiente. O treinador luso espera pelo título da Champions para poder “cortar el bacalao”. Se não der, já tem todas as desculpas preparadas por toda a pressão que recebeu (num ambiente nefasto que ele mesmo preparou). O problema é justamente esse ao que você se refere, entre o seu nível de exigências e as portas que ele vai fechando por onde passa, mesmo sendo “Special One” (sic), pode ficar sem nenhuma alternativa para a seguinte temporada.

Edu: A missão de encontrar emprego deve ficar então para o chefão, Jorge Mendes. Contanto que não me apareçam por aqui…

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