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Suicídio do ‘Galata’ antes do batismo de Ney

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

17 de setembro de 2013 | 18h58

Edu: Parece que a nossa força de vontade de que algumas zebrinhas animassem a primeira rodada da Champions foram além da imaginação. Os grandes engoliram os nanicos.

Carles: Principalmente quando algum dos pequenos decide cometer suicídio, como o ‘Galata’. Imagino Fatih Terim dizendo para os seus comandados: ”- Rapazes, tive um sonho, sonhei que jogávamos de igual para igual com o Real Madrid”. Precisou tomar seis para acordar. Aliás, o time turco começou a liga caseira, empatando três e perdendo uma. Nada a ver com aquele time guerreiro que finalizou a temporada anterior. Pior sem Drogba.

Edu: Tem um outro detalhe desse jogo: parece que a torcida ficou maior que o clube, que já entrou autoconfiante, certo de barulho e a pressão da galera, por si só, poderiam ganhar o jogo. Foi o que empurrou o time para cima do Madrid no início. Vi alguns trechos do jogo de Atenas e foi um clone de Istambul: os gregos se animaram no início, o estádio pegando fogo, até que os caras mais experientes do PSG disseram ‘espera aí, não é bem assim’. Mesmo sem os milionários de Paris jogarem grande coisa acabou em goleada.

Carles: Curioso que acabamos de ver um contundente 1-6, primeira vitória da história da Champions para o Madrid em Istambul, partidaço e grande desenvoltura de Isco, grande esperança Roja, e todo mundo discutindo se Casillas fingiu a contusão.

Edu: Foi a primeira impressão que deu porque o choque, um ‘fogo amigo’ do Ramos, nem pareceu tão forte assim. Mas imagino que Casillas não quis arriscar, ainda mais nessa situação de ‘zica’ total que está vivendo desde que um português cruzou o seu caminho. Pior mesmo é que Diego entrou e fez em seguida mais um dos seus milagres.

Carles: O primeiro diagnóstico é de pancada na costela, contusão que costuma doer mais ao respirar que ao caminhar ou esticar-se como ele fez para defender o tiro de fora da área do carateca Melo. Para facilitar as coisas para os merengues, a Juve volta a mostrar sua fragilidade como visitante na Champions.

Edu: Foi a única surpresinha da noite, mas a Juve tem bala na agulha para se recuperar, até porque o ‘Galata’ não deve assustar mais nesse grupo depois da lambada que tomou. Na rodada desta quarta-feira há uma grande expectativa por aqui pelo primeiro jogo de Neymar na Champions, mas as informações sobre esse Ajax que vai ao Camp Nou indicam uma equipe sem grandes atrativos, pior até do que no ano passado.

Carles: Mas o Copenhague cada ano que passa bota mais a manguinha de fora, pelo menos na fase de grupos e em casa, costuma complicar para os grandes. Estava assistindo ao jogo do Madrid e imaginando a expectativa no Brasil pela estreia do Neymar na Champions. Meu conselho é não exagerar, a Champions é outro departamento, não se parece nem com Liga, nem com Copa do Mundo. Essas noites no meio de semana dão um comichãozinho, é o torneio mais bem sucedido do planeta e mexe muito com todas as emoções. A Real Sociedade, como eu esperava, sentiu e tomou de dois em casa, gols de Alex Teixeira, ex Vasco. Os brasileiros do Shakhtar poderiam aconselhar bem o Neymar sobre as mágicas noites de Champions, e todas as suas armadilhas.

Edu: Só comprova o que vínhamos dizendo há meses: esse Shakhtar é um time bem interessante, maduro, com padrão de jogo e preferências ofensivas. Mais uma vez dará trabalho a um inglês, já que terá o United pela frente. E por mais que a Champions seja diferente, ponho a maior fé no Neymar para esse tipo de jogo, quando ele não costuma se esconder e não teme arriscar. É um cara de grandes ocasiões.

Carles: Sei disso, os brasileiros, principalmente os craques, costumam ir muito bem na Champions, mas eu diria ao Neymar, pouco a pouco. O Manchester que acabou confirmando o favoritismo em casa, enquanto o vizinho, nas mãos do ‘Ingeniero’, acredito, este ano não vai mostrar aquela falta de concentração de sempre. Esperemos então amanhã Neymar, já que não joga Diego Costa suspenso e Simeone parece disposto a guardar o amigo de Ney, Baptistão, para o segundo tempo.

Edu: Esse Atlético é, mesmo assim, muito superior ao Zenit. Não imagino que tenha problemas jogando em casa, ao contrário do capenga Milan contra o Celtic. E já escolho desde já o jogo que considero mais atraente do fechamento da rodada: o novo Napoli recebe o Dortmund.

Carles: Ossos duros de roer os times de Benitez, um especialista em copas.

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