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Tensões pré-clássico

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

23 de outubro de 2013 | 21h15

Carles: Parece que o Real Madrid, hoje, também jogou pensando no sábado.

Edu: Será que eles podem fazer muito mais do que isso? Com três volantes, meu amigo, sobra tudo para o Di Maria e para eventuais descidas do Marcelo. E, claro, Cristiano dando cabeçadas lá na frente. Não sei se são capazes de fazer mais sem o Xabi Alonso.

Carles: E Llorente deixou a sua habitual marquinha no Bernabéu. Sem querer justificar o empate de ontem do Barça, prefiro pagar ingresso para ver a Juve jogar que o Milan. Bom, sempre foi o menos italiano entre os italianos.

Edu: Mas a Juve é um time voluntarioso e com extrema disciplina tática, não mais do que isso. Pirlo dá um toque mais técnico, mas já não chega como antes e os outros são bastante dedicados. É um time com muita ‘grinta’, como eles dizem, mas tecnicamente inferior ao Real Madrid – talvez superior ao atual Milan, mas nem tanto.

Carles: Aos 34 anos que parecem 39, Pirlo arma cada vez mais parado, sem entusiasmo. Ambos, Milan e Juve, carecem de um “trequartista”, alguém que faça a ligação e dê dinamismo ao time. Seguem eternamente esperando o erro do adversário. Se hoje tivessem forçado um pouco, pelo menos antes de ficarem com dez, tinham conseguido algo mais. O pior é que o pênalti “Pepe ou Balotelli” está de moda por aqui. Hoje foi o Sergio Ramos.

Edu: Ah não, foi pênalti claro desta vez, Sérgio Ramos foi visivelmente deslocado. Em compensação a expulsão no Chiellini foi 100% ‘mandrake’. Depois o Neymar é que é artista…

Carles: Não vi esse pênalti, ambos estavam com o braço estendido sobre as costas do outro, “forcejeando” como dizem os analistas de arbitragem por aqui para definir o que é legal. Ramos se atirou e puxou o Chiellini para o chão com ele. Já o lance da expulsão, rigorosa demais, foi falta e interrompeu a corrida do Cristiano, mas a trajetória em direção ao gol não era clara. Na dúvida, e por ter dado na cara do português com a mão, era amarelo. Essa jogada condicionou o jogo. Tévez foi obrigado a fazer a dele e a do Llorente, e o ataque da Juve sumiu.

Edu: Nunca vamos chegar a um acordo sobre esse pênalti. O mais importante é que ficou meio evidente que Ancelotti estava preparando o time que ele pretende ver no clássico, porque duvido que Bale comece jogando no Camp Nou. O time deve começar assim mesmo, com os três – Illarra, Khedira e Modric – ali pelo meio, cautelosos, para permitir algum avanço do Marcelo em cima do Dani Alves. Mas o time continuará muito dependente do que fizer Di Maria. Do contrário a bola não chega a Cristiano. Sem Isco, e, claro, sem Özil, a criação vai pro vinagre nesse time. Tata deve estar de olho nisso.

Carles: Está claro que Isco vai ser para Ancelotti o que Di Maria foi para Mourinho. O italiano não deixa de corrigir e fazer caretas para o desempenho de “Francisco”, como ele grita desde a área técnica. Esse é o time com a cara de Carlo, com três volantes no meio, um deles com um pouco mais de jogo e os outros dois com direito a pequenas deslocações para realizar “las paredes” com os meias, como fez Khedira hoje no primeiro gol. Os que têm cada vez menos dúvidas com seus times são Laurent Blanc e Pep Guardiola.

Edu: Mas aí temos que levar em conta a fragilidade dos grupos. O tal de Anderlecht passaria sufoco na Série B daqui e o Viktoria Pilzen…. bom, fiquemos com aquela ‘caña’ tcheca que eles sabem fazer melhor do que ninguém. Mesmo assim os dois técnicos devem estar comemorando o fato de poder dar rodagem a seus esquemas, principalmente Blanc, que mudou quase tudo no PSG da temporada passada.

Carles: Uma “manita” sempre dá uma alegria e os times fracos, às vezes se transformam em incômodos. Bom, os tchecos costumam pecar de ingenuidade, mesmo. E Ibra não se faz de rogado, se derem moleza ele vai disputar a “Chuteira de Ouro” com Diego Costa, Cristiano, Messi e… Torres. Será?

Edu: Torres não sei, me parece um espasmo ocasional, mas Ribery pode ser. E tem também um interessante campeonato paralelo de assistências: Di Maria, Özil, Oscar, Robben e até Neymar. Também Koke, claro, o principal garçom de Diego Costa.

Carles: Antes que alguém me crucifique, aviso que o nome de Torres era uma ironia. Claro que o esquema de Mourinho, com muito espaço, vai facilitar que ele volte a marcar gols, e mais com a rapidez e categoria de Hazard e Oscar por trás. Neymar está mostrando essa faceta. Se quiser pode jogar de armandinho, sem nenhum problema.

Edu: Para ser armandinho que não seja no sábado. É o primeiro clássico dele, com a eletricidade do Camp Nou e num momento importante da Liga. Deixa que Ney faça o que sabe fazer lá na frente, até porque vai enfrentar um sujeito que, na última vez em que se viram, tomou uma tunda no Maracanã…

Carles: Nem que tome um segundo baile de Neymar, Alvarito parece garantido na posição. O Carvajal já não sabe o que precisa fazer para ganhar o lugar, talvez ficar dando aqueles passes laterais do Arbeloa e fazer muita política.

 

 

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