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Tottenham, sem Bale e com chispa

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

22 de agosto de 2013 | 06h28

Carles: Você acha que tem alguém que ainda não saiba onde Bale vai jogar a partir de 1º de setembro?

Edu: Nem o próprio Tottenham, que já anda gastando por conta…

Carles: Pendura até o Florentino pagar, imagino. Ou então já recebeu por conta, feito Neymar Senior, e não estamos sabendo.

Edu: Bem provável. Mas pelo que vi dos Spurs no jogo de estreia na Premier há muito a ser feito para dar imaginação ao meio de campo, ainda mais perdendo a força do Bale mais à frente. O time é bem limitado e, como te disse há algumas semanas, temo pelo Paulinho.

Carles: Willian é uma boa notícia, para ele mesmo e para os Spurs. E para Paulinho…

Edu: Para ele, uma ótima notícia, porque não chegaria a lugar algum jogando pelo Anzhi. Para os Spurs, se derem a Willian a liberdade de que precisa, seria uma pequena revolução. O time é muito físico, tem jogadores de grande estatura e o que falta mesmo é refinamento, toque e bola no chão. O certo é que, para gastar 30 milhões de libras com William, certamente já está tudo certo com Bale e Florentino. Quem eles pensam que enganam?

Carles: Torcedores que todo dia abrem o jornal esportivo ou portal, esperando uma notícia do Real Madrid, seja qual for, que Ancelotti não gosta de Iker, que Benzema pega a rotatória de  Valdebebas na contramão ou que Bale está chegando. E disso já faz mais de dois meses. Imagina os rios de tinta. De quem será a brilhante ideia de prolongar a confirmação para garantir os espaços ‘desinformativos’ durante todo esse tempo? Acho que é a hora do Willian e que sim vai ser o detonador dessa pequena revolução. Soldado ainda não sabe, mas o brasileiro é a melhor notícia que ele poderia receber.

Edu: Até acredito que possa existir um impasse sobre o preço por aí. De um lado porque Florentino quer dar uma satisfação a quem é contra gastar 100 milhões euros (até o bom Raulzito achou que não vale a pena) e do outro porque os Spurs querem uma justificativa perfeita para sua torcida, que, aliás, já está querendo ver Bale pelas costas. Não consegui ainda definir qual é a de André Villas-Boas como treinador, porque estas experiências britânicas não deixaram claro seu estilo. Mas se ele pediu Willian para fazer o time mudar de parâmetro, achou o cara certo. É capaz de consagrar qualquer centroavante.

Carles: Desconfio da personalidade do Villas-Boas, gato escaldado e fritado lá em Stamford Bridge. A grande vantagem para Paulinho, Willian e Soldado é que já estão familiarizados com a indumentária. Quem sabe isso facilita o entendimento.

Edu: O uniforme tem presença, a torcida é empolgante e o estádio é carismático. Mas o trio vai ter que ralar muito para fazer esse time jogar. Não que seja desprezível. Os Spurs têm um grande goleiro, Loris, um zagueiro honesto, Vertogen, e os belgas do meio para a frente são bons complementos, Moussa Dembelé e Chadli. E ainda tem a correria do Lennon pela direita. Mas ainda é pouco. Falta a chispa de criatividade que provavelmente Villas-Boas foi buscar em Willian. Só assim o time poderia fazer frente aos poderosos da Premier.

Carles: Uma estrutura básica com muito boas possibilidades. A vantagem da chegada de Willian além do talento, a rapidez que da ao jogo, as alternativas pelo centro e principalmente pelos flancos é que, com relação a Bale, chega com um menor protagonismo que a galês e, a esta altura, isso é muito bom para o jogo coletivo. Tem mais, ele deve chegar com uma grande vontade de triunfar, já que finalmente está numa boa vitrine. Bale, ao contrário, demonstrou já não estar disposto a se esforçar pela galera de White Hart Lane.

Edu: Ficamos agora pendentes de como se sairá o galês no ambiente merengue. Os últimos britânicos que passaram por aí não entenderam bem o espírito da coisa, exceto talvez Beckham, com sua onipresente vocação midiática. Na verdade, a grande interrogação é: como Bale se dará com CR?

Carles: Bom, há quem diga que a presença de Beckham no vestiário foi etérea. Quanto à compatibilidade entre Bale e CR, perguntemos à pitonisa Cruyff, que deve estar celebrando o acerto no caso Messi-Neymar. Até prova em contrario. Ontem, durante o jogo de ida da Supercopa espanhola entre Atlético de Madrid e Barça, o Tata voltou a tirar o Messi, por uma “oportuna” lesão e dez minutos depois entrava Neymar, para sorte do Barça.

Edu: Johan tinha razão, então? São incompatíveis?

Carles: Só se eles decidirem que são. Depois do gol de empate de Neymar, a Televisión Española de Rajoy que transmitiu a partida, insistia em alternar os lances do jogo com closes de Messi à espera de uma reação ou um gesto polêmico. No final do jogo, a sempre maldosa repórter Silvia Barba não deixou de provocar os jogadores entrevistados lembrando que o brasileiro entrou e resolveu, com o argentino no banco de reservas. Não conseguiu nenhuma carniça, para confirmar a tese de que não se diz nada construtivo no futebol porque não interessa ao jornalismo especializado.

Edu: Nesses casos só o fato de jogar alguns dejetos no ventilador já vale a pena.

Carles: É típico desse tipo de ‘profissional’.

Edu: De uma coisa não tenho dúvida, com essa bagatela que vão pagar por ele, o engomadinho Bale terá que justificar cada centavo diante a implicante torcida madrileña.

Carles: E no meio de um sempre conturbado ambiente. Ao caso Casillas acaba de se juntar a séria contusão do autêntico líder, Xabi Alonso, para dois ou três meses no estaleiro. Até eu pensei que este ano as coisas iam ser mais tranquilas na ‘Casa Blanca’. Mas, pelo jeito, já virou masoquismo ou síndrome de abstinência.

Edu: E pode ficar ainda pior: quem sai para entrar Bale?

Carles: Se quiserem, podem tirar o Isco e mandar para o meu time. Aceitamos o Casillas, também, traíra ou não.

Edu: E ainda sou capaz de dar uma meia dúzia de pangarés em troca dos dois.

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