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Um ‘para-pênaltis’ sem lugar na Família Scolari

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

13 de março de 2014 | 21h04

Edu: Será que Felipão e Parreira assistem a Europa League? Pelo bem do Paulinho, espero que não, porque esse Tottenham é muito ruim – tomou mais uma tunda, em casa. Mas poderiam ter visto mais um dos pênaltis defendidos por Diego Alves pelo Valencia, talvez ajudasse a dupla a decidir sobre o terceiro goleiro da Seleção, se é que já não está decidido.

Carles: Não é da família e isso não ajuda. Desde que está jogando na Liga, com passagem pelo Almería e agora no Valencia, Diego pegou 15 de 33 pênaltis, incluindo os de batedores como Cristiano Ronaldo, Messi e Diego Costa. Números impressionantes que lhe asseguram o codinome de “el para-penaltis”. Mas não é sua única virtude, em geral ele é muito ágil, excelente quando não é obrigado a deixar o gol e sabe sair jogando. Em compensação é muito deficiente por cima, algo que, pela vocação que mostra, deveria e poderia trabalhar e aperfeiçoar. Hoje, ele salvou o time na Bulgária que jogou com dez durante mais de uma hora de jogo e defendeu a pena máxima quando o placar era de 0 a 1. O Valencia acabou levando por 0 a 3 e agora é só confirmar em casa, na jogo de volta.

Edu: Era um dos preferidos de Mano Menezes, o que talvez explique ter sido desprezado agora. Mas nenhum dos goleiros que supostamente estarão na Copa é tecnicamente melhor que ele, ou, ao menos, melhor a ponto de chamar a atenção. Vitor pode ser um pouco mais seguro nas saídas de gol, mas Jefferson e principalmente Julio César também têm deficiências nas bolas pelo alto, cruzadas na área. Deve ser coisa da família mesmo. Mas com o que temos, não custaria ter um pouco de boa vontade com Diego Alves, que inclusive foi bem nas vezes em que foi solicitado por Mano. Temo que agora seja tarde demais, mesmo com as estatísticas impressionantes nos pênaltis.

Carles: Na Copa não parece má ideia ter um especialista em pênaltis, inclusive para orientar os possíveis batedores nos treinos. À parte do Valencia contra os búlgaros do desconhecido Ludogorets Razgrad, que chegou até aqui depois de eliminar a Lazio, temos os danificados da Champions que deram certo prestígio a esta fase. Entre eles os italianos Juve e Napoli, além da Fiore; os portugueses Porto e Benfica; o Lyon e esse time impostor onde foi parar o azarado do Paulinho. Além do Euro-derbi sevillano com ambos times em evidente decadência técnica, mas disputado com a paixão de sempre, num Sanches Pizjuán que já viveu tantas noites inesquecíveis em edições anteriores do torneio.

Edu: O curioso é que dois outros goleiros brasileiros que já foram ‘selecionáveis’ também foram muito bem na rodada. O veteraníssimo Helton segurou o Napoli na vitória por 1 a 0 no Porto, e o ex-prodígio Neto, que esteve até na Olimpíada, impediu que a sempre favorita Juventus liquidasse o jogo contra a Fiorentina já no primeiro tempo. Depois, a Fiore foi buscar o empate em plena Turim. E no Euro-derbi andaluz teve gol brasileiro, certo?

Carles: Pois é, fico surpreso com a pouca bola que se dá ao Neto, que tem tido um desempenho mais do que digno na Itália, é jovem e poderia estar no grupo da seleção, inclusive convivendo com os veteranos goleiros. Leo Baptistão, como era de se prever, melhorou um Betis à beira do abismo. Aliás, eu já esperava um pouco que isso fosse ocorrer, depois de o amigo de Neymar ter feito um grande trabalho no ‘Rayito’ e de ter sido engolido no Atlético pela altíssimo ritmo dentro de um plantel movido pela fome de vitória e de competição – Leo é um cara mais tranquilão. E mesmo com o provável rebaixamento do Betis, ele deve sair favorecido dessa aventura sevillana.

Edu: Quanto ao pobre Paulinho, só espero que Ancelotti não tenha se esquecido dele. Outro dia mesmo, um dos jornais de Madrid publicou que os ‘blancos’ voltarão à carga para contratá-lo depois da Copa, o que seria uma boa, no mínimo para escapar daquela arapuca que é jogar no White Hart Lane. O time tem dinheiro mas não tem projeto e é um eterno complexado diante dos outros grandes de Londres. E para a rodada de volta das oitavas da Europa League, a dupla do comando da Seleção Brasileira ao menos poderia aceitar a sugestão do 500 aC e apreciar as opções de goleiros. Se bem que, desconfio, não estão muito interessados nem no torneio e muito menos nas opiniões do 500 aC.

Carles: Não estão interessados nas opiniões de ninguém, eu diria. E acrescentaria que, se fosse outro time que não a Seleção Brasileira com seus craques sempre capazes de genialidades, nem cartolas nem treinadores teriam uma margem de erro tão ampla. E por uma questão de justiça, ainda no jogo de White Hart Lane, é bom registrar os dois gols de outro brasileiro, o longevo zagueiro Luisão.

 

 

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