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Valdés, mais uma vítima do vírus pré-Copa

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

26 de março de 2014 | 21h06

Carles: Uma das minhas teorias nem tão fundamentadas sobre lesões é a de que, nos esportistas, períodos de muita tensão (lembremos de como foi a semana passada para o Barça), seguidos de um relaxamento abrupto costumam facilitar as lesões musculares. No caso de Valdés não foi uma lesão muscular, mas o rompimento de ligamento pode estar relacionado com uma musculatura relaxada. Iniesta também teve moléstias musculares na vitória sobre o Celta e foi substituído. Valdés fica fora da Copa e suponho que o substituto para ir ao Brasil será De Gea, do Manchester United.

Edu: Pode ser mesmo. Lesões musculares têm muito a ver com o estado de espírito do jogador, tanto que, às vezes, nem adianta o sujeito se poupar porque, no primeiro esticão, rompe tudo. Para Valdés, que se lesionou em um lance bobo, sem nenhum choque, acho que foi mais um acidente infeliz mesmo, estava sozinho, uma bobagem que custa uma Copa do Mundo. Para La Roja é um desfalque considerável, se bem que prefiro De Gea ao intocável Pepe Reina. E mais do que nunca Del Bosque está nas mãos de Iker Casillas.

Carles: Tem aquela recorrente história de que muitos dos campeões  alinhavam goleiros medíocres e não digo isso por Casillas, se bem que Iker não está à altura das conquistas anteriores. Mesmo que o substituto escolhido seja De Gea, ele deve ir como terceiro e, numa eventualidade, entra Pepe, um bom sujeito. Só que eu preferiria um mau sujeito e excelente goleiro no meu time. As especulações incluem Roberto, do Olympiacos.

Edu: Só sei que é mais uma atração que não vem ao Brasil. Valdés, como já comentamos, deixou uma imagem muito legal quando veio passar umas férias por aqui e falou bastante da grande expectativa que ele tinha de disputar mais um Mundial. É mais um que se soma à lista que já tem Theo Walcott, o excelente holandês Kevin Strootman, o italiano e velho conhecido de vocês Giuseppe Rossi e, talvez, Sammy Khedira e Falcão Garcia, que ainda não sabem se estarão prontos. O duro é reconhecer que dificilmente, nesse nível de competição dos próximos dois meses, outras lesões deixarão de surgir. É inevitável.

Carles: No caso de Valdés, gostamos de vê-lo no Barça e gostaríamos que pelo menos fosse como reserva à Copa. Ele representa um modelo de goleiro mais moderno, acostumado a equipes que priorizam o jogo ofensivo e que, portanto, habitualmente deixam o último homem exposto a situações de cara a cara, que ele costuma resolver com competência. Além disso, também é capaz de participar dos tique-tacas com os pés. Não que Víctor tenha treinado isso de pequeno, mas foi um processo de transformação a que ele se submeteu com Pep Guardiola. Fico pensando numa eventualidade que nos faça depender de Reina debaixo dos paus e lembro de Félix na Copa de 70 tomando um gol em que o uruguaio Cubilla tocou e a bola praticamente percorreu toda a linha da meta, diante das fuças do “papel” até entrar no outro canto. Não me lembro de nenhum goleiro com pior sentido de colocação e foi tricampeão com aquele timaço.

Edu: Exceto pelo grande Gilmar, o Brasil sempre teve goleiros que não foram unanimidade nas Copas em que venceu. Foi assim também com Taffarel e com Marcão. Mas o Brasil quando foi campeão também nunca teve grandes setores defensivos, mesmo no timaço do tri, ou seja, os goleiros não foram os únicos. Mas imagino que não chegue a ser um risco depender de Casillas, que vem fazendo um jogo a cada 15 dias se tanto. Ou é arriscado? O Marquês ousaria outra solução?

Carles: Não, mais do que nunca a certeza é de que joga Casillas, que seria titular com ou sem Víctor. Não creio que as desventuras de Iker cheguem a comprometer mas é certo que a baixa frequência de jogos pode atrapalhar. Ele costuma se superar nas grandes competições e a única certeza que eu tenho é que Diego Lopez não será o terceiro goleiro, se bem que o nome dele esteja entre os candidatos da imprensa. Não é um goleiro que me agrade, mas bem preparado pode suprir. Para os quase dois metros de altura, toma gols por todos os lados. Prefiro o clone de guarda redes de handebol, De Gea. Pena que a notícia da contusão de Valdés tenha ofuscado a boa partida de Neymar. Por certo, era contra o Celtic? Ah não, contra o Celta, será o nome?

Edu: Quem sabe… Mas o primeiro gol até minha simpática, bondosa e capenga vó Maria teria feito. Bom para Ney que na Espanha costumam valorizar mais os gols do que as jogadas, aí talvez deixem ele um pouco em paz. Enquanto isso, ficamos aqui nos contorcendo para espantar as lesões e as pragas dos adversários. Quem será o próximo?

Carles: Não estou de acordo, justamente aqui sempre se contabilizam as assistências de gols, como no basquete, o problema é que os meios da massa precisam impressionar tanto o torcedor conhecedor como o leigo e para esse enorme universo, o gol é um mérito inquestionável. Assim mesmo, a diferença esteve na soltura de Neymar no jogo desta rodada excepcional de meio de semana, nem tanto nos gols. Foi outro jogador, muito menos tenso e sem tanta preocupação em não errar. A isso eu me referia. E quanto à sua avó, quem sabe interessa ao Florentino, porque Bale, até dura do Cristiano tomou na derrota em Sevilla por ter batido uma falta que era dele. E depois o Bola de Ouro ficou olhando ostensivamente para Ancelotti. Muitos panos quentes sobre essa história vão ter que colocar as redes de televisão da capital.

Edu: O que uma derrota como aquela do Bernabéu não é capaz de provocar… Até outro dia, Chamartín parecia a antessala do paraíso. E agora, tome cornetagem.

Carles: E enquanto isso no Calderón, um impressionante Diego Costa mantém o Atleti como líder. Um consolo para La Roja na noite em que perdeu um dos  goleiro mais em forma do momento. Só falta saber se Víctor Valdés vai ao Brasil, como Rogério foi ao México em 1970 por obra e graça da comissão técnica que incluía o Parreira. Lembra?

Edu: Depois de ver jogo a jogo o que faz Diego Costa só tenho uma coisa a dizer: como foi infeliz o Felipão!

 

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