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A batata de Del Nero está assando

Almir Leite

31 Agosto 2015 | 19h41

Marco Polo del Nero passa por um constrangimento atrás do outro, por seu comportamento depois que explodiu o escândalo envolvendo a cartolagem internacional. Nesta segunda-feira, ele foi cobrado fortemente pelo presidente da Federação Catarinense, Delfim Peixoto, por recusar-se a sair do Brasil para compromissos oficiais da Fifa, Conmebol e também para acompanhar a seleção brasileira. Manda sempre prepostos, o que está pegando muito mal.

Peixoto já havia dito que cobraria Del Nero. Cumpriu o que prometera. E não engoliu a desculpa dada pelo presidente da CBF, de que não pode se ausentar do País  porque o momento atual do futebol brasileiro, com CPI do Futebol do Senado, não permite.

Aliás, ninguém engole essa desculpa, esfarrapada como ela só.

É claro que Del Nero, “atacado” por Peixoto, foi defendido por quase todos os outros presidentes de federações – Marcus Vicente, da Capixaba, e queridinho do presidente da CBF, à frente.

Mas Peixoto, que assumirá a entidade se Del Nero cair (mas se ele pedir licença terá direito a nomear seu substituto provisório), conseguiu o que queria: tornar público a cobrança e o pito que deu no mandatário.

Marco Polo está cada vez mais fraco perante a opinião pública. E pode se enfraquecer ainda mais com o andamento da CPI – ele não conseguir barrar a quebra de seu sigilo bancário e fiscal pela comissão.

Na Conmebol sua situação é delicada. Há quem jure que, caso falte à próxima reunião da entidade, será destituído de seu posto no Comitê Executivo.

Na Fifa também há quem defenda sua defenestração, por faltar aos compromissos.

E já há presidente de clube querendo pular do barco, pois percebeu que continuar ao lado do presidente da CBF poderá trazer mais problemas do que benefícios.

E nesta terça-feira, em Brasília, além de poder votar a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, parceiro de Del Nero, a CPI pode aprovar o requerimento para que todos os Ministérios Públicos estaduais enviem documentações referentes a ações judiciais porventura existentes contra as federações.

Isso poderá trazer ainda mais dor de cabeça para Del Nero.

O presidente da CBF está começando a ficar isolado.  E a agenda positiva que a CBF alardeia estar tocando em prol do futebol brasileiro pode não ser suficiente para reanimá-lo.