A esta altura da pandemia, futebol deveria parar em São Paulo. E no Brasil
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A esta altura da pandemia, futebol deveria parar em São Paulo. E no Brasil

É injustificável que os campeonatos continuem 'normalmente' diante do agravamento da crise da covid; pior, só as desculpas esfarrapadas

Almir Leite

03 de março de 2021 | 14h39

São Paulo entrará na fase vermelha do plano estadual de combate ao novo coronavírus no próximo sábado, 6 de março.  Serão duas semanas, até dia 19. Durante esse período, só poderão funcionar serviços essenciais. E o futebol. Com aval do governo paulista.

Mesmo com as restrições, o Campeonato Paulista não será paralisado. Em nenhuma de suas divisões.

Futebol é serviço essencial? Não.

Um ser humano pode morrer se não tomar remédio, ou de fome. Mas não morrerá por não ter um joguinho de bola para assistir.

Estádios de São Paulo continuam abertos ao futebol, apesar da crise grave neste momento da pandemia

Ainda assim, teremos futebol durante a fase vermelha. Afinal, o show não pode parar. Principalmente quando há tantos interesses, sobretudo os financeiros, em jogo.

Futebol sem torcida, por exemplo, dá prejuízo. Mas não ter futebol causa prejuízo maior.

E não só para os clubes. Para federações, patrocinadores, investidores…

Assim, o futebol não para. Sob argumentos que passam muitas vezes longe do principal motivo.

Usa-se a desculpa que o futebol pode atrapalhar ainda mais  o calendário – como se antes da pandemia o futebol brasileiro tivesse um calendário decente.

Também se alega que o protocolo de prevenção criado (e aprovado pelo comitê governamental que cuida da covid, ressalte-se), com testagem frequente, isolamento de quem testa positivo e acompanhamento contínuo de todos os envolvidos com um jogo de futebol –  atletas e funcionários -, minimiza, quando não exclui, os riscos de contaminação.

Sem contar a desculpa de que um joguinho é um alento ao povo nestes tempos tão difíceis. Bem ao estilo pão e circo.

Ainda mais sem torcida nos estádios.

Esquece-se que jogadores e funcionários não ficam confinados permanentemente. Vão para suas casas, interagem com familiares. Sem contar os que levam “vida normal” fora do trabalho.

O bom senso indica parar com o futebol. Mas querer bom senso de quem tem o poder neste País, seja em que área for, é querer demais.

E vamos rolar a bola!

PS: Não é só São Paulo que deveria parar com o futebol, e sim todo o Brasil. E Independentemente da cor em que se encontrem os planos estaduais de combate ao covid.