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A Fifa também se verga

Almir Leite

21 de maio de 2014 | 20h09

O segundo evento-teste na Arena Corinthians não será mais no dia 29, informação divulgada em primeiríssima mão no início da tarde desta quarta-feira pelo Portal Estado.

A decisão foi tomada no final da manhã e a estão atribuindo à Fifa.

A entidade, inclusive, divulgou nota em que diz que foi dela a iniciativa de pedir que o teste seja realizado em 1º de junho, no jogo entre Corinthians e Botafogo (que teve o mando invertido), e não na partida entre Corinthians e Cruzeiro, como ficara acertado.

Não é verdade. Ou melhor, é meia verdade.

É só a parte que interessa à entidade.

A Fifa foi obrigada a rever seu planejamento inicial, após a chiadeira das autoridades da área de transporte e segurança e também do próprio Corinthians (e ela reconhece isso no mesmo comunicado).

É fato que a ideia inicial, nascida na segunda-feira pela manhã, era mesmo a inversão de mando de Corinthians e Botafogo e que a CBF não topou.

Também é fato que haveria risco de ser vetado o uso das arquibancadas temporárias, pois como elas só estarão concluídas efetivamente no dia 27 – considerando-se montagem, colocação de cadeiras e todos os testes de segurança necessários -, poderia não haver tempo hábil para liberação pelo Corpo de Bombeiros.

Claro que isso complicaria, por exemplo,  a venda de ingressos, o que levou o Corinthians a se unir às autoridades – estas preocupadas com o quase certo caos no trânsito não só na região de Itaquera, mas de boa parte da zona leste e da cidade, e com o aparato necessário para dar segurança a público e delegações.

Passou-se então a pressionar a Fifa, que na segunda-feira exigiu mais um teste e não quis, num primeiro momento, nem saber se o dia 29 não era adequado.

A pressão foi aumentando e na noite de terça-feira foi marcada a reunião da manhã seguinte (ontem), realizada inicialmente em clima tenso, mas que efetivamente terminou num bom termo.

O poder público, representado por vários órgãos de Prefeitura e Estado, deixou claro que não iria pagar a conta por possíveis problemas nos serviços de sua responsabilidade.

O Corinthians explicou o problema das temporárias.

A Fifa foi convencida, enfim, que o teste do dia 29 poderia ser inútil, e criaria mais polêmicas do que soluções.

Só então tomou a iniciativa de pedir à CBF a utilização do jogo entre Corinthians e Botafogo como teste (com a volta do jogo com o Cruzeiro para o dia 28). A CBF concordou sem pestanejar.

Prevaleceu o bom senso, mas se a Fifa não fosse peitada nada teria mudado.

Fica o ensinamento, ainda que tardio: se a Fifa tivesse sido peitada mais vezes durante a preparação, talvez tivesse se mostrado menos exigente. E esperneado bem menos.

 

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