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A lição que o mau exemplo do Flamengo dá para o futebol e a vida

Querer adiar o jogo com o Flamengo é medo de perder. Mas situação mostra claramente o risco de exposição ao vírus quando há aglomeração

Almir Leite

24 de setembro de 2020 | 12h06

Antes de mais nada, e para que não se tenha dúvida, a posição deste blogueiro é direta e reta: não deve ter o jogo entre Palmeiras e Flamengo no próximo domingo pelo Campeonato Brasileiro. Assim como, a rigor, não deveria ter o futebol voltado no Brasil e em nenhuma parte do mundo, uma vez que é impossível criar bolhas como a da NBA.

Também não se deve ver o exército de contaminados no clube pelo novo coronavírus como um castigo pelo fato de o Flamengo, com o nome usado pelos homens que atualmente dirigem o clube, querer mandar no futebol brasileiro. Não me refiro à parte técnica, mas à administrativa. Ao fato de querer impor sua vontade forçando a volta do futebol, como fez; a forçar a MP da renda do mandante sobretudo por interesse próprio; e a liderar o movimento pelo retorno da torcida aos estádios, entre outras iniciativas, digamos, egoístas. Mesmo que para isso tenha de vender a alma, ou a alma do clube, ao diabo.

Mas essa terceira onda de covid-19 no Flamengo – já teve funcionário do clube que morreu e jogadores infectados anteriormente – é uma oportunidade para recordarmos ensinamentos importantes que os especialistas, médicos e cientistas à frente, nos dão desde que essa infeliz pandemia começou.

Do ponto de vista da saúde, é mostra clara de que aglomeração dissemina o vírus. É simples: um passa para o outro, os dois passam para mais alguns e assim vai. É assim no futebol, na escola, na rua… Enfim, em todos os lugares.

Não se entra aqui no mérito do tal do protocolo, visto estar claro que não há nenhum que seja 100% seguro. Mas é evidente que quando um grupo é submetido a situações em que todos seus componentes precisam ficar juntos por algum tempo, como em viagens de avião e concentrações em hotéis, basta um contaminado (e pode nem ser integrante do grupo) para o vírus se espalhar.

O outro aspecto é que os dirigentes do Flamengo mostram que, para certas pessoas, não há catástrofe que neutralize o egoismo, o exclusivismo, o interesse próprio acima do coletivo. Nem consegue inibir a cara de pau, a desfaçatez, de certos seres.

Dizer que o objetivo de adiar o jogo com o Palmeiras é medida para preservar a saúde dos jogadores num momento em que o clube lidera o movimento pela volta da torcida aos estádios, argumento dado pelo dirigente Roberto Dunchee, é um escárnio.

Quer dizer que a saúde do jogador importa, mas a saúde do torcedor não? Ou é uma confissão de que, para esses senhores, a saúde que importa é única e tão somente a financeira?

Para este blogueiro, a tentativa do Flamengo de adiar o jogo com o Palmeiras é, acima de tudo, MEDO DE PERDER.

Outra lição dada por tudo isso: a despeito da prateleira de troféus conquistados desde o ano passado, o Flamengo, gigante no Brasil e no mundo, e sua nação de torcedores, não merecem a diretoria que têm atualmente.

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