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A maturidade de Neymar. E os apressadinhos…

Atacante dá sinais de que de fato cresceu também "de cabeça'', melhora ainda mais dentro de campo e escancara a precipitação dos que o questionaram recentemente por causa de um jejum de gols

Almir Leite

29 de março de 2017 | 11h31

Sete meses atrás, apenas sete meses atrás, minutos depois de alcançar aquela que foi talvez sua maior conquista do ponto de vista pessoal na carreira até agora, a medalha de ouro olímpica, Neymar quase saiu na mão com um torcedor em pleno Maracanã. Não aceitou ser xingado por alguém que pediu sua aproximação para uma selfie e se frustou por não ser atendido, e quis partir para a briga. Sentia-se superior a todos. Não tolerava críticas, reparos, fossem justos, injustos ou exagerados.

Na quarta-feira, em Itaquera, um dia depois de dizer que havia amadurecido, Neymar mostrou em campo que de fato cresceu, está mais maduro. Apanhou bastante e soube se controlar. Reclamou, mas de maneira comedida. Sem o destempero que caracterizava suas reações, principalmente nos tempos de Dunga, e que o levou por exemplo a sair pela porta dos fundos da Copa América do Chile, em 2015.

Ao final do jogo, foi cobrar o complacente juiz. O fez em tom moderado. Mostrou sua desaprovação, foi enfático, mas não se descontrolou.

Tecnicamente, Neymar, cujo talento não se questiona, também evoluiu. Está mais objetivo e até mais solidário com o companheiros. Seu estupendo futebol está aparecendo ainda mais, por estar mais efetivo. Isso ele já havia mostrado em partidas anteriores à do Paraguai. Na seleção e no Barcelona.

Aliás, as atuações pelo Barcelona exemplificam bem a precipitação ocorrida recentemente em relação a Neymar.  Entre o final do ano passado e o início deste ele ficou 11, 12 jogos sem fazer gols – com exceção de um marcado em amistoso acho que no Catar. Bastou para a imprensa espanhola colocar em dúvida o futebol e a qualidade de Neymar. E boa parte da imprensa brasileira foi no embalo, lembrando seguidamente do jejum.

As boas atuações feitas por Neymar naquele período ficaram em segundo plano. As razoáveis ou ruins, que efetivamente aconteceram, vieram à tona. Não se sabe por conveniência ou não, detalhes como o fato de o número de suas assistências ter aumentado, e muito, foram “esquecidos”.

O craque, a rigor, foi questionado até aquela memorável partida com o PSG que decidiu a favor do Barcelona.

A partir daí, já tem bastante gente, aqui e na Europa, conclamando Neymar como o melhor do mundo. Querem dar a ele o troféu da Fifa. Ele é, pelo que se pode ver, o melhor no momento. Talvez não venha a ser quando forem considerados os 12 meses. Mas a “campanha” só mostra que quem exagera para mais também exagera para menos.

Mais importante do que isso é que Neymar, aos 25 anos, mostra pela primeira vez, no humilde observar deste blogueiro, sinais de maturidade. Pelo jeito, definitivos. É óbvio que haverá recaída, destempero, irritação desmedida, afinal ninguém é de ferro e faz parte da vida. Os sinais, porém, indicam que Neymar cresceu.

PS: para o gosto do blogueiro, seria ainda melhor se ele mergulhasse com menos espalhafato, visto que não é atleta de saltos ornamentais.