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A melhor maneira de usar Neymar

Almir Leite

21 de julho de 2016 | 10h19

Rogério Micale deu a letra e Tite assinou embaixo: a Neymar não se pode dar a missão de carregar a seleção brasileira nas costas, como se fazia até agora – apesar dos desmentidos oficiais.

O garoto é craque, um dos melhores do mundo, pode desequilibrar, ser o maior protagonista da seleção. Nem por isso tem de jogar por todos, resolver tudo. Melhor será ter uma equipe às suas costas em vez de carregá-la nas costas.

São visões como essa que nos levam a acreditar que finalmente a seleção brasileira, tanto a olímpica como a principal, começa a acertar o passo, a achar o caminho.

Claro, a seleção de Tite ainda não foi a campo e, a rigor, nem a de Micale.

A prudência recomenda esperar para ver se a prática confirma o discurso.

Mas a maneira como ambos tratam o maior craque do time – hoje o único – é sinal positivo. Neymar terá explorado o seu talento,  mas não sugado a ponto de perder as forças físicas e emocionais.

É evidente, também, que Neymar terá de fazer a sua parte. Assumir de fato o protagonismo – e não precisa ser capitão para isso – demonstrar comprometimento (que na visão desse blogueiro anda em falta pelo menos desde a Copa América do Chile, ano passado), ter espírito de grupo, doar-se de fato pela seleção.

E não ter de assumir a responsabilidade de ser o salvador da pátria vai ajudá-lo bastante a “abraçar a causa”, se assim o quiser.

Aí, a Olimpíada do Rio poderá ser a Olimpíada de Neymar.

E,depois, a seleção brasileira também será a de Neymar.

Algo que, apesar da badalação, da força do marketing, do puxasaquismo de boa parte da imprensa oficial e da forçada de barra de alguns treinadores,  ainda não é.