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A primeira pisada na bola da Nova CBF

Desfalcar clubes para a seleção olímpica disputar um torneiozinho mequetrefe, como faz Jardine com anuência da entidade, não tem cabimento

Almir Leite

15 de maio de 2019 | 16h57

É fato que Rogério Caboclo, antes mesmo de tomar posse de direito como presidente da CBF, disse que a partir de 2020 vai respeitar as datas Fifa, interrompendo competições nacionais quando a seleção tiver compromissos amistosos, a fim de não prejudicar os clubes brasileiros. Ou seja, somente a partir do ano que vem.

Mas, em seu discurso de posse, Caboclo, após elogiar a fase de eficiência e profissionalismo porque passam os clubes brasileiros (de acordo com sua visão), disse não ser mais admissível disputa entre clubes e a CBF. Ou seja, entende ser melhor que todos remem no mesmo sentido.

Dentro dessa perspectiva, a CBF acaba de desperdiçar a primeira oportunidade de mostrar que está do mesmo lado dos clubes.

A convocação da seleção olímpica para disputar um torneiozinho de quinta categoria na França – Toulon já teve importância, num passado remoto , muito remoto – foi ridícula, esdrúxula, para dizer o mínimo.

André Jardine, marinheiro de primeira viagem na CBF, cometeu a proeza de desfalcar vários clubes em jogos importantes – muitos deles eliminatórios, por Copa do Brasil e Sul-Americana – para, repito, participar de uma competiçãozinha meia-boca, que nada acrescentará à seleção.

Está errado.

Corinthians (Pedrinho e Mateus Vital), São Paulo (Anthony), Fluminense (Pedro), Santos (Rodrygo), Grêmio (Matheus Henrique) e Athletico-PR (Renan Lodi) estão entre os clubes que serão prejudicados para que Jardine possa preparar o time olímpico.

É fato que é sua primeira convocação e ele quer, e precisa, mostrar serviço. É igualmente fato que o coordenador Branco disse (reconheceu) que o “futebol de base bateu no fundo do poço” depois dos vexames seguidos dados pelas equipes sub alguma coisa recentemente.

Mas não tem cabimento prejudicar os clubes por conta de uns joguinhos sem importância.

Mesmo porque, na “hora do vamos ver”, ou seja, no Pré-Olímpico e na Olimpíada, vários dos convocados agora assistirão à nova corrida por vaga e depois pela medalha de ouro pela televisão.

Além do mais, se quisesse mesmo contar com o que o Brasil tem de melhor em idade olímpica, Jardine teria convocado, entre outros, Vinicius Junior, Eder Militão, Paquetá…

Mas como esses estão na lista do chefe maior, Tite, é melhor não arranjar encrenca.

Um técnico que na curta e recente experiência que teve em um time de cima foi injustamente massacrado, mas logo em seguida demonstra não ter o menor apreço pelos clubes talvez não mereça mesmo ser tratado com apreço.

E a nova CBF, comandada por alguém que de fato tem boas ideias, precisa urgentemente se livrar das velhas práticas. Do contrário, será mais do mesmo – e o mesmo não interessa a ninguém.

O Santos já pediu a liberação de Rodrygo. Tomara que todos os outros façam o mesmo.  Já que a CBF ainda não se uniu aos clubes, que eles se unam.