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A seleção de Dunga é assim. Goste-se ou não

Almir Leite

14 de outubro de 2014 | 16h30

Falar de Neymar é chover no molhado.

Mas da seleção de Dunga já dá para dizer alguma coisa, após os quatro primeiros amistosos -um deles contra um adversário, a Argentina, que realmente é de primeira linha.

Os jogos contra Equador e Colômbia indicaram, o contra a Argentina cravou e o contra o Japão confirmou que, a rigor, já sabíamos:  na nova era Dunga a seleção não será exatamente igual à primeira, mas ainda terá muitos ingredientes dela.

A seleção será um time mais fechado, precavido, seguro. Vai procurar valer-se da rapidez ao agredir ao adversário e do talento de Neymar para nocauteá-lo.

Já deu para perceber que os laterais serão mais contidos, avançando apenas “na boa” ou às vezes nem assim.

A defesa terá grande proteção, às vezes com até três volantes.

Assim, temos de torcer para que tais volantes saibam, ao menos, passar a bola com competência.

O lado bom,  se é que se pode definir assim, é que, com os laterais mais presos, os meias poderão pensar mais no aspecto ofensivo do time.

Com o técnico dos 7 a 1, eles se preocupavam na prática mais em tentar ajudar os laterais, inclusive cobrindo os buracos, do que em criar jogadas e buscar conclusões. E, como se viu, não certo

Mas, para os meias contribuírem efetivamente com o time, precisarão ser mais agudos na criação das jogadas e também na chegada para concluir ou dar o último passe antes do chute.

Melhorou em relação ao que era até a Copa. Porém, está longe do ideal e Oscar, sobretudo, precisa se mostrar mais aceso.

Não jogar com um centroavante fixo, outra característica dessa nova seleção, também pode ser fator positivo. Diego Tardelli, o falso nove da vez, está se movimentando bastante e com eficiência.

Com isso, cria alternativas para seus companheiros.

Só seria melhor, creio, que Tardelli não precisasse ajudar tanto na marcação da saída de bola adversária.

E Neymar? Bem, a melhor maneira de aproveitar tudo o que ele pode dar de bom para a seleção é deixá-lo atuar livremente, ocupando todos os espaços do meio de campo para a frente.

Afinal, ele faz a diferença.

Bem, é a assim que deveremos ver a seleção a partir de agora.

Esse é o jeito de jogar que Dunga pensa ser melhor para a equipe.

Mas também tem o “fator 7 a 1” quando ele opta por mais segurança, por um time que se exponha menos, corra menos risco.

Se vai ser bom ou não, pelo menos em termos de resultado, creio que só saberemos a partir do ano que vem, com a disputa da Copa América e o início das Eliminatórias.

Até lá, o negócio é ir se acostumando com essa “nova seleção”.

 

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