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Amadorismo que atrapalha a seleção e o jogador

Almir Leite

28 de maio de 2016 | 22h46

Gabriel Jesus é talentoso, tem muito futuro. É bastante jovem, mas já se destacou o suficiente para ser notado por Dunga para a seleção brasileira principal – entrou na lista dos 40 pré-convocados para a Copa América Centenário – e olímpica, onde tem sido presença constante.

Pois bem, neste sábado o coordenador de seleções, Gilmar Rinaldi, revelou que Gabriel Jesus perdeu chance de substituir o contundido Douglas Costa na Copa América, ou pelo menos ter seu nome considerado para tal, simplesmente porque não tem visto para entrar nos Estados Unidos.

Dunga ficou uma fera com o ocorrido. Criticou a falta de organização e de profissionalismo. Mas quem pisou na bola. Foi o jogador? o Palmeiras? Ou seu empresários.

Embora jornalistas não devam deixar-se considerar donos da verdade, arrisco dizer que Gabriel Jesus é o menos culpado. Arrisco mais: digo que é o único que não tem culpa nessa história.

Sabe-se, por ser assim o procedimento, que logo que um jogador é chamado para a seleção a CBF comunica seu clube e envia relação de tudo que é necessário para atender a convocação. Documentos, vistos, vacinas, etc.

Dunga divulgou a lista dos 40 há um mês e, portanto, há um mês que se sabe que Gabriel Jesus poderia ser convocado para a Copa América. Não apareceu na lista dos 23. Mesmo assim poderia ser chamado.

E o que fizeram Palmeiras e seus empresários? Nada. Em no máximo 15 dias se tira um visto americano atualmente (este blogueiro não precisou nem de dez). Ou seja, já era mais do que tempo de Gabriel Jesus estar com esse visto.

Será que o Palmeiras não se esforçou para não correr o risco de ficar sem seu jogador por várias rodadas do Campeonato Brasileiro? É hipótese que não se pode descartar.

Mas pior fizeram (ou melhor, não fizeram) seus empresários. Eles vivem divulgado o plano de carreira que desenvolveram para o Gabriel Jesus, estão fazendo de tudo para colocá-lo na Europa na próxima janela – conseguiram até fazer com que a multa a ser paga pela saída seja menor para determinados clubes do que para outros – e não foram capazes e competentes de providenciar um simples visto?

Porta arrombada, vem o Palmeiras dizer que tudo estará resolvido até terça-feira.  Mas a questão que fica é: por que não resolveram antes.

Para sorte de Gabriel Jesus, Dunga parece ter compreendido que o vacilo maior foi de seu staff. Assim, ele permanece com chances até se vir a ser chamado para a Copa América, caso ocorra outra necessidade nos próximos dias (e que já tenha o visto na mão, claro).

O fato de ser jovem contou. Se o treinador usasse com ele o mesmo critério implacável adotado com jogadores como Marcelo, Jefferson e Thiago Silva, poderia dar adeus até a Olimpíada. Não iria passar nem perto do Rio. A não ser que Dunga caísse.