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André Jardine pode pagar caro pelos erros dos outros

Presidente do São Paulo e seu principal homem do futebol, Raí, devem ser cobrados por ter promovido um treinador inexperiente em momento tão importante

Almir Leite

13 Fevereiro 2019 | 11h00

André Jardine desfruta do conceito de ser um técnico de altíssimo nível nas categorias de base. Assim é visto no São Paulo. Deve mesmo ser (escrevo ‘deve’ porque faço parte do imenso grupo da imprensa que acompanha mal e porcamente o trabalho feito na formação, e que depois fica como barata tonta diante de fatos como o ocorrido no Ninho do Urubu). Mas suas aptidões para o trabalho na base não necessariamente seriam transferidas de maneira automática para o trabalho com o time profissional.

Esse foi o grande erro da diretoria do São Paulo, o presidente Leco e o diretor Raí à frente. Eles se preocuparam em encher o time de reforços (era necessário) e esqueceram de contratar um técnico de peso, absolutamente imprescindível no quadro atual.

Refiro-me ao fato de o São Paulo ter voltado a disputar a competição que lhe é mais cara, a Libertadores. É uma competição que importa a todos os clubes brasileiros, mas que o Tricolor faz questão de tratar como sendo mais importante para ele do que para os outros. Blablablá, mas que, adotado e assumido, cobra um preço.

O preço,  nesse caso, é, entre outros fatores, ter time forte, competitivo, e treinador experiente, decidido, que saiba o que faz.

Não está sendo o caso de Jardine. Ele não definiu uma maneira clara de jogar, suas alternativas são confusas, mostra indecisão na escalação, insiste com jogadores que ou são ou estão mal tecnicamente, coloca outros em funções erradas…

Culpa dele? Sim, mas em parcela menor. O grande erro foi de quem lá o colocou neste momento. Para usar uma comparação bastante usada tempos atrás, mas atualmente quase em desuso, não se coloca um piloto de teco-teco para comandar um boeing.  Não sem antes treiná-lo, para que se torne de fato piloto de Boeing.

Na aviação, não dá para fazer teste, arriscar. Porque, se der errado, o avião se espatifa.

O futebol não é tão radical assim. Por isso é até possível que o São Paulo se supere, consiga reagir, bater o Talleres por diferença que o leve à próxima fase da Libertadores. Mas e depois?

André Jardine não é incompetente, apenas não se mostrou preparado para assumir o time de cima neste momento. Pode até ser tirado do cargo, seja qual for o resultado desta noite no Morumbi. Mas isso não deve mascarar o óbvio: o erro maior foi de Leco. E de Raí, que bancou Jardine.

Aliás, Raí irá pedir o boné se o barco afundar em consequência do seu erro?