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As razões de Dunga só ter convocado “estrangeiros”

Almir Leite

23 de outubro de 2014 | 16h22

A intenção de Dunga era levar, de cada clube brasileiro que tem convocáveis,  um jogador para os amistosos contra Turquia e Áustria.

Continua convicto de que a seleção brasileira é mais importante que os clubes e, embora entendesse o drama de agremiações e seus treinadores nesta reta final de Campeonato Brasileiro e neste momento decisivo de Copa do Brasil, entendia ser fundamental manter a base que utilizou nos quatro amistosos anteriores.

Mas a interferência de José Maria Marin e de Marco Polo Del Nero, atual e futuro presidente da CBF, o que reconsiderar.

Os dois dirigentes pediram a ele e a Gilmar Rinaldi, o coordenador de seleções, para só convocarem estrangeiros porque recebeu pedidos expressos de vários clubes.

E também da detentora dos direitos de transmissão das competições nacionais, embora nesse caso todas as partes hão de negar isso até a morte.

Marin, de saída, e sobretudo Del Nero, que já está na porta de entrada da CBF, entenderam que não era momento de criar, ou acirrar, desavenças com clubes e c0m a dona de boa parte do dinheiro que financia o futebol interno por conta de duas partidas que, tecnicamente, não são tão importantes assim.

Por isso, nas últimas horas antes do anúncio da lista dos convocados, dedicaram-se a convencer Dunga e Rinaldi a usar o bom senso – ainda mais numa época em que o Bom Senso anda atazanando a cartolagem.

Não deram ordem, mas usaram argumentos fortes.

Dunga cedeu. Não quer passar imagem de inflexível, e também não quer atrapalhar ninguém neste momento.

É algo positivo.

E, numa dessas, pode até descobrir, entre os novatos, jogadores que se mostrem em condições de permanecer na seleção.

Se isso ocorrer, vai até acelerar o processo de renovação.

Que ele pretende fazer de forma gradativa. Mas vai fazer.

 

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