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Bayern comprova que, no futebol, é raro o melhor não ser campeão

Time alemão não tem um craque como Neymar (apagado na final da Liga), mas é bem superior ao PSG e joga futebol mais atrativo

Almir Leite

23 de agosto de 2020 | 19h24

Observando as reações de grande parte dos brasileiros, torcedores e imprensa, a partir da chegada do Paris Saint-Germain à final da Liga dos Campeões, concluí que palpites, análises prévias e comentários sobre quem seria o campeão partiram de um único ponto: Neymar. Quem gosta dele dizia que o PSG levantaria a taça; quem não gosta cravava que daria Bayern de Munique.  Nada diferente do que faz o torcedor.

Ou seja, desconsiderou-se o aspecto mais importante no futebol: a qualidade dos times. O Bayern tornou-se preferido da porção (e que porção!) que não topa Neymar não pelo ótimo futebol que pratica habitualmente, com marcação alta quase todo o tempo, intensidade, variação de jogadas e outras virtudes. Mas, antes de tudo, por ser o time que poderia vencer Neymar. O Atalanta fracassou, o RB Leipzig também. Então, aposta-se no “vingador” da vez.

Do outro lado, havia quem achava que, ainda que fosse sozinho, Neymar seria capaz de vencer os bávaros, que vinham empilhando uma série de vitórias seguidas, entre elas a massacrante sobre o sempre poderoso (pelo menos nos corações dos brasileiros) Barcelona e outra contundente sobre o Lyon.

Quando a bola rola, porém, a realidade invariavelmente se impõe. É fato que uma das graças do futebol é a possibilidade permanente de David vencer batalhas contra Golias.  Mas, ao longo de toda a guerra, é muito raro, exceção, o final ser o mesmo da passagem bíblica.

Foi o que se viu na final da Champions em Lisboa.  O PSG não jogou mal. Encarou o PSG de igual para igual (para usar um modismo), foi, inclusive, ligeiramente superior e mais perigoso no primeiro tempo. Mas acabou por sucumbir na etapa final, por ironia em um momento que o Bayern parecia sem alternativa para sair da marcação cerrada que os franceses exerciam. Mas foi só abrir um espaço que os bávaros aproveitaram.

Depois disso, por mais que martelasse e mesmo faltando muito tempo para o final da partida, a rigor o PSG não colocou o Bayern sob risco, com exceção de uma conclusão de Marquinhos.

O leitor, sempre atento, certamente observou que só agora, na última palavra do sexto parágrafo, foi citado o nome de outro jogador além de Neymar. É proposital. Para enfatizar a importância da força coletiva e do conjunto no futebol, sem, claro, menosprezar as virtudes individuais.

O Bayern não tem virtuoses como Neymar e Mbappe – que, diga-se, não estiveram bem na decisão, em parte pela capacidade dos alemães em anulá-los, mas também pelo desequilíbrio técnico do time do PSG. Mas tem Neuer, Thomas Muller, Kimich, Goretska, Davis (o melhor lateral-esquerdo do mundo atualmente), Tiago Alcântara (o melhor jogador em campo na final), o matador Lewandovski… E um técnico, Hansi Flick, que conseguiu fazer o time jogar de maneira objetiva, mas simples.

Claro que não se deve desprezar o talento de Thiago Silva, Marquinhos, Di María. Mas ao PSG falta qualidade no setor de meio de campo. Mesmo quando Verrati está em campo, e inteiro.

Por isso, deu a lógica. Ganhou o melhor. Rotina no futebol.

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Oportunidade perdida. Com boa dose de razão, pode-se considerar que a final da Liga dos Campeões é crucial para a definição do melhor jogador do mundo na temporada e que Neymar, apagado no Estádio da Luz, perdeu a chance. Deve ter perdido mesmo. Lewandovski também não brilhou. Mas pelo que fez na temporada, na minha opinião mais do que merece o prêmio.

Bom exemplo. Um aspecto positivo de Neymar nesta temporada em que se apresentou ao Paris Saint-Germain falando com todas as palavras que queria ir embora foi o amadurecimento.  Ele deu mais um mostra disso ao não tirar do peito a medalha recebida pelo vice-campeonato europeu. Quem despreza a prata é mau perdedor, não dá valor a todo o trabalho feito, desrespeita os colegas e os vencedores.