Bi olímpico do futebol deixa legado para a seleção principal do Brasil
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Bi olímpico do futebol deixa legado para a seleção principal do Brasil

Conquista merecida da melhor equipe do torneio masculino dos Jogos de Tóquio 'dá' vários jogadores para time de Tite

Almir Leite

07 de agosto de 2021 | 12h11

Foi duro, como se esperava. Talvez até um pouco mais, pois André Jardine demorou muito para reagir às mudanças do técnico espanhol, o que aumentou o risco. No final, porém, a vitória na prorrogação deu à seleção brasileira um merecido bicampeonato olímpico. Ganhou a equipe que, ao longo da competição, foi  melhor, e que, além do ouro em si, deixou frutos para a seleção principal.

A  trajetória vitoriosa é uma recompensa aos jogadores, muitos dos quais tiveram que negociar com seus clubes a liberação para ir aos Jogos de Tóquio. Malcom, o autor do ouro, por exemplo, teve de se desdobrar para conseguir permissão do Zenit russo e poder se integrar ao grupo de Jardine. Foi em cima da hora.

Seleção brasileira mereceu o bi olímpico e jogadores têm grande futuro

Jardine, que se fosse examinado só pela decisão seria reprovado – demorou para mexer, fez substituições que não seriam as mais indicadas pela situação do jogo, manteve quase até o fim jogadores como Richarlison, que fez ótima Olimpíada, mas na final estava descontrolado emocionalmente e mal tecnicamente… -, tem méritos de sobra.

O principal deles foi remontar várias vezes o time, pois durante a preparação e sobretudo na reta final, teve de driblar seguidas recusas de clubes em liberar jogadores que ele convocara. Richarlison, por exemplo, só foi a Tóquio porque o Flamengo não cedeu Pedro.

No fim, montou uma equipe competitiva, que mesmo com deficiências no posicionamento defensivo se impôs pelo bom jogo ofensivo.

O ouro também deixou um bom legado para Tite. Se em 2016, logo após o ouro ganho no Rio, o treinador levou Gabriel Jesus e Gabigol para sua estreia na seleção naqueles 3 a 0 sobre o Equador em Quito, agora ele tem ainda mais opções.

Guilherme Arana, o melhor do Brasil contra a Espanha, é superior a Alexsandro e ao bom Renan Lodi. Matheus Cunha, por sua presença de área e facilidade de fazer o pivô, entre outras qualidades, se encaixará muito bem no esquema de Tite. Bruno Guimarães faz jús a nova chance no meio-campo. Antony merece ao menos ser testado. Santos, que ele já convocou, é opção segura caso ocorra algum problema com os goleiros atuais da seleção principal.

Ou seja, o bicampeonato olímpico não foi importante apenas pelo ouro em si, mas também pelo que pode trazer  de bom para o futuro da seleção brasileira, que daqui a pouco mais de um ano vai tentar sair da fila na Copa do Mundo do Catar.