Brasil de Tite é absoluto no continente, mas não passa das quartas na Copa
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Brasil de Tite é absoluto no continente, mas não passa das quartas na Copa

Equipe brasileira continua apresentando um futebol limitado, pouco criativo, sem alternativas eficientes e está longe de ser competitiva numa Copa do Mundo

Almir Leite

10 de setembro de 2021 | 12h36

São oito vitórias em oito partidas completas. Domínio absoluto das Eliminatórias. Mesmo sem jogar um grande futebol em nenhuma das ocasiões.

A seleção brasileira não precisa mesmo de muita coisa para deitar e rolar no futebol sul-americano. Até a derrota para a Argentina na final da recente Copa América foi mais circunstancial do que fruto de superioridade do adversário.

Desse lado do planeta, não há risco. O problema é quando realmente interessa para o futebol brasileiro, a Copa do Mundo. Daqui a pouco mais de um ano teremos uma. E nada indica que o Brasil poderá fazer melhor do que nas três últimas ocasiões em que pegou europeus nas quartas de final (em 2014 a seleção chegou à semifinal, mas os 7 a 1 mostraram que teria sido bem melhor se o time tivesse parado nas quartas).

Seleção brasileira de Tite continua pouco criativa, limitada tecnicamente e dependente de Neymar

Tite bem buscado alternativas técnicas e táticas para a equipe. Até agora, porém, não as encontrou. O time continua pobre criativamente, não consegue empolgar ou jogar um futebol realmente convincente nem por breves minutos.  Ainda não andou um centímetro em relação àquele que foi eliminado pela europeia Bélgica nas quartas de final da Copa da Rússia. E o Mundial seguinte já está batendo à porta.

Vejamos o jogo contra a fraquíssima, mas ainda assim abusada, seleção do Peru. Tite apostou mais uma vez no 4-4-2, esquema que provavelmente não é o melhor para a equipe brasileira, mas que vale ser considerado como alternativa. E mesmo contra um adversário que vivia a perder bolas na saída de jogo e dava bastante espaço por optar por marcação alta sem ter qualidade para isso, o jogo não fluiu.

Neymar – que jogou bem, mas esteve longe de dar o show que alguns deslumbrados conseguiram ver – e Gabigol até tentaram formar uma dupla de ataque eficiente. Mas o fato é que não funcionou.

Neymar, o único realmente craque do time e de quem se espera as soluções quando a coisa engrossa (o que não foi o caso contra os peruanos), funciona melhor quando tem liberdade de movimentação. Ou quando ocupa extensa faixa do meio para o lado esquerdo. Gabigol, que tem boa presença de área, rende ainda mais quando consegue se movimentar.

Teria sido melhor jogar como na Copa América, quando  Paquetá, como meia e até segundo homem, se aproximou mais de Neymar. Os dois renderam bem quando procuraram fazer as coisas juntos. Já contra o Peru, e antes contra o Chile, quando teve de ficar mais próximo da beirada do campo pelo lado esquerdo e ainda voltar toda hora para ajudar o lateral, Paquetá caiu de produção.

Do outro lado, Everton Ribeiro desempenhou 0 mesmo papel, mas como também usou sua característica de agredir sempre a área adversária e teve fôlego para isso, saiu-se melhor. Foi bem, ganhou pontos. Poderá render mais ainda se tiver reduzidas suas obrigações defensivas.

Claro que também teve coisa boa, que pode render ainda mais nos próximos jogos. Neste 4-4-2 de Tite, Gerson (convocado somente por uma emergência) foi um eficiente segundo volante, usando sua qualidade técnica e força física para ajudar defensivamente e dar opções de armação. Faltou chegar um pouco mais. Mas, jogando mais à frente de Casemiro, rendeu bem. Foi algo positivo.

Em outubro a seleção terá mais três jogos, provavelmente sem a confusão que levou Tite a perder uma dúzia de atletas e a ver um jogo interrompido, e será ótima oportunidade, posto que o Brasil de fato já está mais do que garantido na Copa do Catar, para continuar com experimentos técnicos e táticos.

Nova chance para que o treinador encontre jogadores e alternativas capazes de levar a seleção a superar as quartas de final – na prática a superar um time europeu. Porque sem pachequismo não dá para acreditar ainda que a seleção conseguirá, do jeito que está, passar por uma França (2006), uma Holanda (2010) ou uma Bélgica (2018) da vida.

Em 2014, o Brasil passou das quartas. Mas, nesta fase, enfrentou a Colômbia. Contra europeus o negócio é mais embaixo. E é preciso mais.