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Calendário do futebol brasileiro vai mudar

Almir Leite

17 de abril de 2015 | 16h24

A principal discussão do momento nos bastidores do futebol brasileiro é sobre a medida provisória do refinanciamento da dívida fiscal dos clubes. Paralelamente, uma outra discussão vem sendo realizada até com alguma discrição, mas deve ganhar forças e holofotes nas próximas semanas. O tema é o calendário do futebol brasileiro.

Tal discussão vai além do formato do Campeonato Brasileiro – alguns clubes, notadamente os que vivem mais na parte de baixo do que na de cima da tabela, defendem o fim dos pontos corridos e a volta do mata-mata. O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, é contra, mas não fecha questão. Diz que fará o que os clubes decidirem, dentro da filosofia que apregoa, a de que é obrigação da entidade satisfazer os interesses dos clubes.

Mas a discussão, repito e enfatizo, ultrapassa os limites do Brasileirão. Há necessidade, e os clubes grandes estão cada vez mais convencidos disso, de se buscar novas fórmulas para os Estaduais e até mesmo os Regionais (Copa do Nordeste, Copa Verde…).

Pelo menos nos principais campeonatos, como o Paulista e o Carioca, os grandes defendem redução do número de participantes – o Rio já vai fazer isso a partir do próximo ano – e também que entrem na disputa apenas nas fases decisivas. O raciocínio básico é que isso lhes permitiria preparar-se melhor para a temporada e participar com menos sofrimento desde o início de competições como a Libertadores. Além de dar mais espaço para os menores.

Aí a porca torce o rabo.  Mesmo em São Paulo, que tem o Estadual mais rico do País, os pequenos só lucram, quando se trata de arrecadação, quando jogam contra os grandes.  E não querem passar meses a fio jogando entre eles, e tomando prejuízo, para depois apenas os melhores se juntarem à elite.

Marco Polo Del Nero entende que não se pode desprezar a tradição dos Estaduais – mesmo porque os pequenos votam nas federações- nem tomar o futebol europeu como exemplo, pois lá os países são menores e não continentais como o Brasil.  Mas admite que é preciso repensá-los.

A discussão vai ser boa, pode se tornar acalorada, e com certeza trará modificações ao calendário. Não dá para prever quando. Mas é bem possível que já neste ano chegue-se a um acordo para algumas mudanças a serem implementadas já em 2016.