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Carlos Alberto Torres!

Almir Leite

25 Outubro 2016 | 16h56

“Já vejo o ‘Capita’ levantando a taça.”  A frase gritada pelo primo Miguel enquanto corríamos em direção à rua da Rua do Encanto, em Petrópolis, para comemorar com a molecada da vizinhança, e quem mais aparecesse, os 4 a 1 de virada sobre a Checoslováquia, de certa forma foi a primeira referência que este blogueiro teve do lateral-direito Carlos Alberto, que incorporaria o Torres ao nome profissional anos depois.

O blogueiro sabia que ele existia. Acompanhava os jogos da seleção pelo rádio – naquela época futebol pela TV era algo raro, basicamente videotape do clássico de domingo – e também pelo rádio, acho que por ondas curtas, jogos noturnos do Santos disputados na Vila Belmiro.

A transmissão ia e vinha, mais ia do que vinha, e o chiado sobrepunha a voz do locutor, que sempre que dava brecha exaltava o fato de o jogo ser na Vila, em Santos, “a terra de Brás Cubas”, referência ao fundador da vila que se tornaria uma das cidades mais importantes do Estado de São Paulo.

Mas o blogueiro, provavelmente por uma das imperdoáveis distrações que costuma cometer, só notou Carlos Alberto a partir daquela frase. E se tornou fã daquele lateral técnico, ousado, que não levava desaforo pra casa, se se impunha pelo futebol e pela moral.

Dos laterais-direitos que o blogueiro viu jogar – não viu Djalma Santos -, pode ter sido o melhor. A dúvida é em relação a Leandro.  Seja como for, é certo que Carlos Alberto Torres foi grande.

O tempo passou, o blogueiro cresceu e, enveredando pelo jornalismo, teve o prazer de entrevistar algumas vezes o ‘Capita’. Fez boas matérias e aproveitou para aprender bastante.

Fazia tempo que não tinha contato com  Carlos Alberto. O último, há mais de dez anos, foi bastante engraçado. Ele trabalhava como técnico no Azerbaijão, era idolatrado por lá, capa de várias revistas. A matéria falava dessa idolatria e o blogueiro, que fica em São Paulo, pediu a que ele emprestasse as revistas para reproduzir as capas.

‘Capita’ atendeu prontamente, e um fotógrafo foi até sua casa, no Rio, pegá-las. Fez o trabalho e demorou para devolver as revistas. Eis que um dia Carlos Alberto liga cobrando a devolução do material. Estava bastante zangado.

Não precisava dizer que menos de duas horas depois as revistas foram entregues ao dono.

Ah, e não precisava dizer, também, que a “profecia” do primo Miguel se realizou naquela Copa de 70. Isso, o mundo sabe!