Poder na CBF volta de vez para as mãos de Marco Polo Del Nero
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Poder na CBF volta de vez para as mãos de Marco Polo Del Nero

Coronel Antonio Nunes nada mais é que um servo fiel do banido dirigente, que na realidade jamais deixou de interferir na entidade

Almir Leite

07 de junho de 2021 | 13h56

O afastamento de Rogério Caboclo e a consequente ascensão do coronel Antonio Nunes à presidência da CBF, pela prosaíca e estatutária condição de ser o vice-presidente mais velho representa, na prática, a volta de Marco Polo Del Nero ao comando da entidade.  Banido do futebol pela Fifa  por corrupção, Del Nero, na realidade, nunca esteve longe das decisões na sede da Barra da Tijuca.  Agora, porém, retorna com força total.

Isso porque Nunes, do alto dos seus 82 anos, é – sempre foi – um servil ajudante de ordens de Del Nero. Nos pouco mais de dois anos em que esteve à frente da  entidade, entre fevereiro de 2017 e abril de 2019, cumpriu fielmente as determinações que seu patrono, então condenado a agir na surdina, lhe passava. Não será diferente agora.

Marco Polo Del Nero está banido do futebol, mas mantém poder absoluto na CBF

Cartola da velha guarda, por longo tempo presidente da Federação Paraense, o Coronel Nunes, na verdade, é cria de Del Nero em nível nacional. Ele foi alçado à condição de vice-presidente em 2016 apenas porque o então presidente, na iminência de ser defenestrado do cargo pela Fifa, não queria que o poder fosse parar nas mãos de um desafeto – no caso, o então presidente da Federação Catarinense, Delfim Peixoto, que morreria meses depois no acidente com o avião da Chapecoense, e que era o mais velho até Nunes chegar. E sempre seguiu fielmente o seu criador.

Agora, voltará a acatar sugestões, diretrizes e principalmente ordens de Del Nero.  Internamente, já começa a trabalhar para devolver a normalidade ao dia a dia da entidade. E vai ajudar a costurar o acordo para que, se e quando Caboclo for afastado definitivamente, o preferido de Del Nero seja alçado à presidência na eleição que terá de acontecer.

Vale lembrar que Del Nero manda na CBF desde 2012, quando Ricardo Teixeiea renunciou e José Maria Marin se tornou presidente, também por ser o vice mais velho. Marin já fazia dobradinha – como segundo piloto, sempre – com Del Nero na Federação Paulista e a parceria continuou na entidade nacional.

Quando foi eleito ele próprio, em 2015, Del Nero já tinha organizado a CBF do seu jeito. Colocou pessoas de confiança em todos os cargos-chave – Caboclo era um deles. Manteve os da época de Teixeira que se mostraram fieis e trouxe outros para os lugares daqueles que não lhe prestariam continência.

Nada mudou até hoje. Caboclo até tentou tornar-se independente. Mas, além de Del Nero continuar dando as cartas em reuniões frequentes em seu apartamento no Rio – ele não voltou para São Paulo, seu berço, após ser banido do futebol -, o cartola afastado passou a fazer besteiras administrativas, acabou se estrepando ao assediar a funcionária (ligada a Del Nero) e teve de pedir socorro ao ex-presidente para tentar se salvar.

Del Nero o deixou sangrar.  E foi peça importante em seu afastamento. Claro que continua sem poder pisar no prédio da Barra da Tijuca. Mas os encontros em seu luxuoso apartamento, que fica a poucos quilômetros da sede da CBF, deverão ser mais frequentes.  E ele continuará rindo à toa.