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Ceni e Oswaldo são vítimas de dirigentes incompetentes e omissos

Ambos os treinadores cometeram muitos erros, mas foram derrubados por jogadores porque faltou comando à cartolagem

Almir Leite

27 de setembro de 2019 | 16h15

Rogério Ceni não é nenhum santo. Oswaldo de Oliveira também não. Cometeram erros, técnicos e de relacionamento em suas meteóricas passagens por Cruzeiro e Fluminense, respectivamente – oito e sete partidas. Mas, sobretudo, foram vítimas do amadorismo dos dirigentes. Despreparados, incompetentes, omissos, eles permitiram que os treinadores fossem esculhambados  por jogadores , perdessem a autoridade e ficassem sem a menor condição de desenvolver um bom trabalho.

No Cruzeiro, o problema não foi Thiago Neves discordar das mudanças na escalação feitas por Ceni para aquele jogo com o Internacional. Nem Dedé achar que o mesmo Thiago Neves deveria ter sido aproveitado contra o Ceará. Jogador tem direito a discordar, contestar, ter opinião diferente. O problema foi a maneira como agiram. Thiago chiou pela imprensa, “queimando” Rogério. Dedé fez o mesmo, ao reprovar a decisão do técnico diante de todo o grupo.

Por que agiram dessa maneira? Porque falta comando ao Cruzeiro, cujos dirigentes estão encalacrados com questões judiciais. Existisse hierarquia, tudo poderia ter sido resolvido de outra maneira. Em conversas reservadas entre os jogadores descontentes e o treinador. Os pontos de vista seriam expostos e, mesmo que depois do papo as posições iniciais prevalecessem, seriam grandes as chances de o respeito ser mantido.

Rogério Ceni também não é flor que se cheire. Arrogante, prepotente, acha que pode fazer o que bem entender, quando quiser. Isso contribuiu, e muito, para que fosse derrubado. De cara quis trombar com as lideranças do time, confio no apoio da torcida mesmo quando ficou claro que não teria respaldo dos dirigentes e, sem ser flexível para lidar com os conflitos, acabou enxotado da Toça da Raposa.

Sua queda era questão de tempo desde que ficou claro que a diretoria não lhe daria o apoio necessário. Aliás, o blog já havia alertado para esse risco semanas atrás (https://esportes.estadao.com.br/blogs/almir-leite/rogerio-ceni-so-tera-vida-longa-no-cruzeiro-com-respaldo-dos-cartolas/).

De certa forma, Ceni até mereceu, pois mostrou que não aprendeu nada com a rasteira que levou no São Paulo, no único clube em que é realmente considerado um mito, quase um Deus. Do portão para fora do Morumbi, Rogério é um ser mortal como qualquer outro (mesmo em Fortaleza). Quanto mais cedo se conscientizar disso, mais rápido se tornará o grande treinador que tem potencial para ser.

Oswaldo de Oliveira é um treinador ultrapassado. Seus últimos trabalhos, no Sport, Corinthians e Atlético-MG, atestam isso. Não se vê nada novo em suas propostas. Apenas arcaísmo e desculpas. Não deveria ter sido contratado pelo Fluminense.  Mas foi. Assim, deveria ter sido respeitado e respaldado.

Não foi isso o que aconteceu. Celso Barros, imprescindível por muito tempo como apaixonado patrocinador, mas uma tragédia quando atuou diretamente no futebol do Fluminense há alguns anos, é atualmente um vice-presidente mais polêmico do que eficiente. Mario Bittencourt, brilhante como advogado do clube por saber prevalecer as leis esportivas mesmo contra o muxoxo geral da opinião pública, é um presidente pouco presente. Talvez isso ocorra porque tenha de dedicar praticamente todo o seu tempo a tentar descascar a extensa plantação de pepinos financeiros herdada de administrações anteriores. Mas não tem sido efetivo no futebol.

Com isso, Oswaldo, na prática, já assumiu de aviso prévio. A torcida sempre foi contra sua contratação, os jogadores queriam a permanência de Fernando Diniz. Esses fatores, aliados à pobreza de suas opções técnicas e táticas, cedo ou tarde iriam chutá-lo para fora das Laranjeiras.

Mas, tivesse o Fluminense algum comando, não teria sido do jeito que foi. Ganso, claramente vítima da má vontade de Oswaldo, não tinha o direito de fazer o que fez. Nem de xingar o treinador dentro do campo, nem de xingar do lado de fora, nem de ameaçar partir para cima. Claro que Oswaldo também errou feio ao devolver o xingamento, ao ameaçar sair no tapa e, pior ainda, ao mostrar o dedo para a torcida após a partida.

Sua saída era bola cantada. Mas, repito, não deveria ser como foi.  É o mesmo caso de Rogério Ceni.

Erros  à parte, o fato é que ambos foram, acima de tudo, vítimas de dirigentes amadores e omissos.

 

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