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Clubes e CBF reagem contra a MP da dívida

Almir Leite

08 de abril de 2015 | 21h42

Ninguém esperava mesmo que clubes e CBF, e por extensão as federações estaduais, fossem aceitar candidamente o texto da Medida Provisória 671, que permite o refinanciamento da dívida fiscal em troca do cumprimento de várias exigências de boa gestão.  E a reação de clubes e CBF, unidos, já começou.

Reunidos na tarde desta terça-feira, os dirigentes decidiram não aderir ao parcelamento enquanto a MP não for modificada.  Ou seja, se não sair do jeito deles, ou pelo menos quase do jeito deles, nada feito. Vão continuar devendo e, sobretudo, administrando mal os clubes.

São os mesmos dirigentes que estão desesperados pelo refinanciamento, dizendo que, sem isso, os clubes quebrarão e o futebol brasileiro continuará sua trajetória ladeira abaixo.

Resumo: os clubes querem ajuda, desde que seja eles que determinem os termos dessa ajuda. Ainda que com o dinheiro alheio.

É certo que a MP tem lá suas discrepâncias, suas coisas inócuas. Exigir que os clubes centralizem as receitas e toda a sua movimentação financeira numa só conta realmente parece exagero. Os defensores de tal artigo podem alegar que é uma forma de controle. Mas há mecanismos no sistema bancário que podem fazer esse controle, mesmo que determinada agremiação tenha conta em vários bancos.

Os clubes têm suas razões de reclamar disso – e também de coisas como a obrigatoriedade de investimento no futebol feminino. Mas não têm razão, na minha humilde opinião, quando se rebelam contra o limite de mandatos da cartolagem, da obrigação de cumprir compromissos financeiros e até mesmo da obrigação que se sujeitarem a uma entidade que tenha limites de tempo de mandato de seu presidente. Nem que para isso tenham de se abrigar numa liga.

É isso que mais incomoda à CBF, que não quer impor limite de mandatos para seus presidentes nem quer os clubes fundem ligas – ficaria ela apenas com a seleção brasileira, como ocorre em várias partes do mundo.

A briga vai ser boa, e o presidente do Grêmio já disse em alto e bom som que a CBF fará lobby para mudar o que achar necessário na MP.

Ainda é cedo para fazer um prognóstico, mas se governo, atletas e outros setores não se cuidarem, corre-se o risco de termos uma lei totalmente descaracterizada em relação ao texto original. Aí, caberá à presidente Dilma Rousseff vetá-la. E voltaremos à estaca zero.