Começo a ter saudade do tempo em que os árbitros brasileiros erravam sem a ajuda do VAR
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Começo a ter saudade do tempo em que os árbitros brasileiros erravam sem a ajuda do VAR

Os árbitros de vídeo têm prestado um desserviço ao futebol ao sugestionar os árbitros de campo

Almir Leite

01 de agosto de 2021 | 13h55

Foi um absurdo, para dizer o mínimo, a anulação do gol contra que daria ao São Paulo a vitória sobre o Palmeiras. Por não ter ocorrido irregularidade no lance, mas, principalmente, pela maneira como foi feita a anulação. Não pelo árbitro e o auxiliar no momento do lance. Mas depois do sugestionamento do VAR.

Isso mesmo! Sugestionamento. É isso o que os árbitros do VAR têm feito. É isso mais um fator que tem estragado o futebol brasileiro. Está cada vez pior. Basta a turma da cabine chamar, em situações obrigatórias (como nos gols) ou não, para o árbitro de campo já ir ver as imagens disposto a mudar de opinião.

É clara a falta de personalidade dos árbitros. Incompreensível. Imperdoável. Está mexendo com o resultado esportivo das disputas.

No clique de Felipe Rau, Luiz Flávio observa as imagens que o levariam a anular o gol de Miranda

No lance do clássico de sábado à noite no Morumbi, inicialmente o gol contra de Gustavo Gómez foi validado. Luiz Flávio de Oliveira o fez com convicção. Aí, foi instigado a ver as imagens no monitor.  E perdeu a convicção. Olha daqui, olha dali, assiste, revê e finalmente acha o que procurava – ou o que a cabine lhe pediu para procurar: a interferência, inexistente até porque é  natural que todos os jogadores se movimentem quando uma falta é cobrada na área, do impedido Miranda na jogada.

Erro absurdo.

Aí entra a tal da interpretação, o álibi dos árbitros – de vídeo e de campo. E o argumento ideal para os torcedores, sobretudo os apaixonados. Os palmeirenses se escoram nela para dizer que o gol foi bem anulado; os são-paulinos a consideram equivocada e prova de que o time foi prejudicado.

E segue o baile.

O problema é que o VAR está errando demais. Vou abrir uma exceção e, sem consultar minhas anotações, listarei dois casos recentes de que me lembro.

No jogo entre Fluminense e Athletico-PR, o VAR induziu o árbitro a ver pênalti de Nino em jogador do time paranaense quando sequer houve o toque. Como foi no final da partida e o jogo já estava 3 a 1, ou seja, decidido, o erro não fez diferença no resultado a não ser o gol a mais para o rubro-negro.

Mas no empate entre Corinthians e Internacional, o erro na marcação do pênalti que originou o gol dos gaúchos interferiu no resultado. Isso porque, ao considerar que Jô fez falta em Cuesta, de que fato existiu, o VAR desconsiderou que o zagueiro do Inter estava impedido e participou ilegalmente da jogada, tanto que sofreu a falta.

Aconteceram outros erros neste Brasileirão. Mas, repito, desta vez não vou recorrer às anotações.  Até para que o texto não ficar do tamanho da BR 101.

Apenas lembrarei uma omissão do VAR, durante a semana que se encerra, em jogo da Copa do Brasil. O árbitro do vídeo salvou o de campo ao alertar sobre um pênalti não marcado a favor do time catarinense. O erro foi corrigido. Minutos depois, porém, o árbitro de campo marcou um pênalti absurdo a favor do Flu e ou o VAR não  chamou ou foi ignorado. Erro do mesmo jeito.

Esses quatro casos, em curto espaço de tempo, representam erros demais para um sistema que foi introduzido justamente para corrigir falhas humanas e evitar injustiças.  Não adianta nada o departamento de árbitros da CBF divulgar estatísticas mostrando que, no geral, os equívocos são mínimos. A tecnologia existe justamente para que não ocorram.

Se é para errar, é melhor deixar que o árbitros, humanos que são, errem por eles mesmos.