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Conmebol perdoa o racismo

Almir Leite

02 de abril de 2015 | 18h57

Admito que não sei o que é pior: o ato racista do uruguaio Cristian González contra o brasileiro Elias ou o posicionamento de um alto dirigente da Conmebol, dando conta que, para a entidade, chamar alguém de “macaco” não é racismo, pois não é compreendido assim em outros países da América do Sul.

Admito também que não sei exatamente como os outros países da América do Sul tratam o racismo. Mas em alguns deles, como Equador, Colômbia e no próprio Uruguai, chamar um negro de mono (macaco em espanhol) no mínimo coloca em risco os dentes de quem proferiu tal ofensa.  Foram brancos e negros desses países que me deram tal informação.

Mas o que me deixou estarrecido mesmo foi “Dom” Francesco Britez, paraguaio, cartolão da Conmebol, ter dito a um funcionário do Corinthians, o responsável pelo segurança do clube, que, para a entidade, pode-se ofender alguém usando a palavra macaco que tudo bem.

Detalhe: Britez é secretário-geral da Conmebol, ou seja, é o Jérôme Valcke da América do Sul.

Deve ser por isso que jogadores que equipes sul-americanas continuam ofendendo outros. Não vai dar em nada mesmo. Vale lembrar  que não muito tempo atrás o Real Garcilaso peruano foi punido apenas com uma multa de cerca de R$ 30 mil depois que seus torcedores ofenderam o então cruzeirense Tinga.

Como a indignação é grande desta vez, como aliás foi em outras vezes, talvez a Conmebol venha a tomar algum medida contra González. Desde que o juiz tenha citado o episódio na súmula. Mas isso só será visto na próxima semana, pois a casa paraguaia está fechada para os feriados de Páscoa.

Se isso acontecer, sou capaz de apostar que o zagueirão do Danubio não passará constrangimento maior do que uma advertência, talvez uma multinha ou, na pior das hipóteses, alguns joguinhos de suspensão.

Lamentável!