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Copa América: a saga para pegar o ingresso

Torcedor tem de perder tempo, enfrentar fila e ser "fichado'' para ter acesso ao bilhete, pelo qual pagou bem caro

Almir Leite

17 de junho de 2019 | 15h44

Estou sem meu cartão crédito, o único que possuo, pois não estou aqui para ajudar mais do que o necessário o “bem-estar” das operadores. Não pretendo utilizá-lo, mas, se aparecer uma emergência, não o terei à disposição.

Por quê?

Por causa da Copa América.

Explico: meu filho comprou ingresso no nome dele,  mas pagou com o meu cartão. Por isso, para retirá-lo, terá de apresentar o cartão utilizado para o pagamento. Do contrário, nada de ingresso (mas o débito não sera estornado, evidentemente).

A apresentação do cartão é obrigatória, de acordo com o estabelecido pelos organizadores da Copa América, porque, na retirada do bilhete, o comprador terá de se submeter a tirar uma foto, com o ingresso numa mão e o cartão na outra. É para comprar que o sapato corresponde à meia, ou seja, que aquele ingresso foi pago com aquele cartão.

Como é estudante, e pagou meia-entrada, também de terá de apresentar a carteirinha de estudante. Justo. Acertado. Mas, como ele só tem suas mãos, fico a pensar: será que, na hora da foto, terá de segurar a carteirinha com os dentes?

Brincadeiras à parte, é um absurdo  a saga que o torcedor tem de encarar para ter a posse de algo por que pagou. (E pagou caro, pois os preços da Copa América estão fora da realidade para um país em crise, o que em parte explica os estádios vazios.)

Só não digo que é inacreditável porque o sistema saiu da cabeça de “experts” brasileiros e da Conmebol. E deles pode-se esperar qualquer coisa.

Ficar por algumas horas sem o cartão de crédito é algo que deve atingir somente um punhado de país.  Não é um grande problema. Mas alguns bem mais graves.

Com tanta burocracia para a retirada do ingresso, pode se perder horas na fila do centro de distribuição. No caso de São Paulo, reportagem publicada pelo Estado no dia 13 retratava a dificuldade encontrada pelo torcedor para tomar posse daquilo por que pagou (https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,torcedor-sofre-para-retirar-ingressos-para-os-jogos-da-copa-america,70002869174). A espera chegada a duas horas.

E o tal local de retirada, no Memorial da América Latina, não fica perto de nem dos dois estádios da cidade que recebem partidas da Copa América.  Ou seja, nem essa possibilidade de perder tempo apenas no dia do jogo (chegando bem mais cedo do apito inicial, claro!), pegando o ingresso no entorno do Morumbi ou de Itaquera o torcedor tem.

A Copa América ainda está no início, mas esta situação não vai mudar. A organização alega questão de segurança e combate ao cambismo para defender o sistema arcaico que adotou.

“É uma burocracia necessária para evitar ação de cambistas. São medidas para que o torcedor se sinta seguro. Recomendamos que o torcedor vá aos centros de retirada o quanto antes. Quanto mais perto do jogo, as filas podem ser maiores”, disse Thiago Jannuzzi, gerente-geral de Competição da Copa América.

Ou seja, é assim e…

O máximo que foi feito (terá sido um gesto de boa vontade?) foi a ampliação em três horas do horário de retirada dos ingressos.

O argumento do combate ao cambismo é pra lá de duvidoso. Cambista se combate com inteligência, nestes tempos de vendas virtuais, e ostensiva atuação policial.

Mas mandar o torcedor “se coçar”, aconselhando-o a ir o quanto antes pegar seu ingresso, é mais fácil.

Facilidade por facilidade, seria mais fácil a organização enviar o ingresso ao comprador por meio de um serviço de entrega – como, aliás, já foi feito em grandes eventos esportivos realizados nessas terras. Mesmo porque, para comprar o tal bilhete, é preciso preencher uma ficha de dar inveja ao pessoal do KGB dos bons tempos, com nome, documentação, endereço, e-mail (outro bom método de entrega, não acham?)…

Também dava para fazer como a final da Liga dos Campeões, que utilizou QR Code para facilitar a vida do torcedor. Bastava encostar o celular num identificador e a catraca do Wanda Metropolitana se sabia…

Mas se se pode fazer o torcedor sofrer para pegar o ingresso, por que vamos pensar em seu conforto?

 

 

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