Copa América no Brasil, a nova vergonha de um país que perdeu o pudor
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Copa América no Brasil, a nova vergonha de um país que perdeu o pudor

Dar aval para promover o torneio sul-americano com o país sofrendo como está por causa da pandemia é um escárnio

Almir Leite

31 de maio de 2021 | 12h48

A decisão do governo (?) brasileiro e da direção (?) da CBF de dar guarida à Conmebol trazendo a Copa América para o Brasil não surpreende.

Não dá para esperar  nada de um governo que faz pouco caso para as mais de 460 mil mortes em consequência da covid, que não tem o menor apreço e respeito pelo cidadão.

Não dá, também, para esperar muita coisa de uma entidade cujo presidente está encalacrado com uma denúncia muito mal explicada e que, como vem mostrando nos últimos atos presenciais e administrativos, está fazendo qualquer coisa para evitar que lhe cortem o pesçoco.

Conmebol não quis abrir mão do dinheiro da Copa América e encontrou cumplicidade no Brasil

Da Conmebol, cujo presidente parece viver em outro planeta, pois quase diariamente vai ao Twitter para alardear o continente cor de rosa em que vivemos,  igualmente não se pode esperar nada.

O cartola-mor do futebol sul-americano sempre defendeu o dinheiro. Dirige uma confederação milionária, mas não abre mão, mesmo que provisoriamente, da bufunfa que entra via contratos das competições que a entidade promove.

Por isso, submete clubes a situações ultrajantes, como jogar enquanto bombas explodem do lado de fora do estádio, como aconteceu recentemente com o Atlético Mineiro na Colômbia.

Por isso, trata de garantir 50 mil doses de vacinas para a “comunidade do futebol”, entenda-se jogadores e delegações, para não ter seus negócios atrapalhados.

Por isso, na impossbilidade de jogar numa Colômbia em convulsão social e numa Argentina em que o presidente prefere ser responsável, ele se volta para seus iguais.

Assim, junta-se na mesma  lata um cartola que só pensa em dinheiro, outro disposto a tudo para manter o cargo e um governo comandado por um irresponsável, para dizer o mínimo, e o Brasil terá a Copa América.

Só falta realizar os jogos com público em meio à chegada da nova onda de covid.

Tomara que a seleção brasileira,  que será usada ainda que involuntaramente no processo de legitimação do serviço sujo, não passe da primeira fase.