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Coronavírus dá uma ótima oportunidade para mudar o calendário do futebol

Pandemia que obrigou a parar a bola pode ajudar a cartolagem a fazer um calendário racional

Almir Leite

19 de março de 2020 | 16h49

Já que o futebol dito profissional, que oferece jogos de segunda a segunda mundo afora, teve de parar na marra, os dirigentes pelo mundo afora bem que poderiam aproveitar a deixa para organizar o calendário. E com um pouco de bom senso, o fariam ouvindo atores importantes deste cenário, tais como atletas, treinadores, médicos, fisiologistas…

Calendário tornou-se um problema no futebol mundo agora (ops, “tá” ficando repetitivo!) por causa da mania dos cartolas de criar competições – na Europa, por exemplo, não muito tempo atrás criou-se um torneio continental de seleções caça-euros que, além de sem graça, atrapalha a Eurocopa e as próprias Eliminatórias da Copa do Mundo. Mas vamos cuidar do nosso quintal.

Até porque a cartolagem brasileira é pródiga em inventar competições, de olho na bufunfa de patrocinadores e dos direitos de TV.

Por aqui temos Estaduais (em alguns Estados com até quatro divisões), Copa do Brasil, Copa do Nordeste, Copa Verde, o Campeonato Brasileiro e a recém-criada Supercopa (entre o campeão da Copa do Brasil e do Brasileiro). E alguns clubes que disputam a Libertadores e a Sul-Americana. E dependendo da temporada pode rolar também uma Recopa do continente e a tal Copa Suruga, disputa entre o campeão da Copa Sul-Americana e do da J-League. Ah, ia esquecendo do Mundial de Clubes.

É muita competição. Verdade que a maioria dos cerca de 800 clubes registrados como profissionais quando muito disputam o Estadual, e não necessariamente da Primeira Divisão, e a Copa do Brasil. E em alguns Estados há torneios que visam aumentar o período de atividade dos pequenos, como a Copa Paulista.

Essa é uma distorção do calendário brasileiro. Há clubes, normalmente os grandes, que jogam demais e outros que ficam em atividade no máximo por seis meses, quando não menos. Reflexo disso são os contratos curtos feitos entre clubes e atletas. O Santo André é um ótimo exemplo: melhor time do Campeonato Paulista, o Estadual mais forte do País, até a paralisação, tem 90% de seu elenco com contratos se encerrando no próximo mês de abril.

Assim, seria ótimo que Nossa Senhora do Bom Senso iluminasse nossos cartolas e os levassem a fazer um calendário em que os clubes, grandes e pequenos, tivessem temporadas mais equilibradas. O Estadual, por exemplo, poderia ser disputado na maior parte do ano pelas equipes consideradas pequenas, explorando-se características como as rivalidades regionais e até com subsídio das federações e da CBF (que acaba de divulgar um balanço com receitas que bateram na casa do bilhão em 2019), com os grandes entrando no fim, numa espécie de supercampeonato.

Claro que não dá para comparar o Paulista com o Pernambucano, por exemplo. Mas tanto o XV de Jaú como o Afogados têm direito de poder, dentro da limitação de cada um, fazer um planejamento de temporada em que não haja risco de implosão.

O Brasileiro com 20 clubes e quatro rebaixados também poderia ser reestudado. O número de clubes parece alto e o de rebaixados com certeza é desproporcional. E, apesar de ser a ideal na opinião deste blogueiro, talvez até a fórmula por pontos corridos deva ser revista.

Bem são ideias de um não especialista no tema. Provavelmente não sirvam. Mas os especialistas bem que poderiam reconhecer o óbvio, que o calendário atual é uma grande porcaria, e buscar uma solução.