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Del Nero e as desculpas esfarrapadas

Almir Leite

26 Novembro 2015 | 16h06

Que Marco Polo Del Nero deixaria de exercer seu cargo no Comitê Executivo da Fifa até os marcianos já sabiam. Que Fernando Sarney, apesar de enfrentar resistência dentro da própria CBF, seria confirmado como substituto já era esperado. Isso, porém, não significa que devemos aceitar os “motivos” oficiais para o desligamento.

Vamos a eles:

A Conmebol informa que foi Del Nero quem pediu para sair. Não foi assim. A verdade é que Del Nero foi retirado do cargo.

A realidade é que faz tempo que os dirigentes da entidade queriam tirar o presidente da CBF (esse blogueiro, por exemplo, noticiou isso em setembro). Por quê? Porque ele simplesmente deixou de comparecer às reuniões da Fifa desde que um bando de cartolas foi em cana (por que será?), preferindo não arredar pé do Brasil.

Isso enfraqueceu ainda mais a já fraca, em termos de Fifa, Conmebol. Assim, sua saída foi exigida e só não ocorreu antes porque o presidente da entidade, Juan Angel Napout, esse sim amigo e grato a Del Nero, tentou segurá-lo.

No entanto, há um sentimento ambíguo da cartolagem sul-americana em relação ao presidente da CBF. Não o queriam na Fifa, mas não ligam para o fato de ele permanecer na Executiva da Conmebol – até porque representa uma confederação nacional como dirigente máximo dela.

Na realidade, ninguém quer, pelo menos por enquanto, trombar com Del Nero.

Isso permitiu ao brasileiro não só emplacar um compatriota como substituto, como indicá-lo, além criar a tese para sua “retirada” e de se manter na entidade sul-americana (apesar de também não ir aos compromissos da entidade que ocorreram no Paraguai, assolado por uma repentina fobia de atravessar a fronteira; Sarney já o vinha substituindo em Assunção).

O que leva à segunda desculpa esfarrapada que está sendo divulgada para justificar o afastamento do cartola de suas funções na Fifa – o que traz como benefício a desobrigação de ir de vez em quando à fria Suíça -, a de que ele renunciou ao cargo (reforço: não é verdade; Del Nero foi chutado) pelo excesso de atividades na CBF e na Conmebol.

Excesso de atividade na Conmebol? Como, se ele nem sequer vai às reuniões que acontecem fora de sua casa?

Esse tipo de justificativa só mostra que Marco Polo Del Nero está sendo muito, mas muito, mal assessorado. Embora quem o conheça à fundo garante que ele não está nem aí para a opinião dos outros.

Mas com tantos furos na tese, é como diz o companheiro repórter Vitor Marques: “Esses caras pensam que a gente é trouxa!”

O pior é que pensam!