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Del Nero prepara a saída da CBF

Almir Leite

15 de setembro de 2015 | 11h55

Uma dúvida tem tirado mais um pouco das hoje poucas horas de sono de Marco Polo Del Nero: o momento de pedir licença da presidência da CBF.

Definido por quem convive com ele como alguém objetivo, de raciocínio e decisões rápidas, o cartola está indeciso, de acordo com interlocutor bem próximo. Já definiu o que fazer, como fazer, só não sabe o momento. Se antes ou depois de uma cada vez mais provável acusação da Justiça norte-americana.

Quando se afastar, Del Nero dirá que tomou a o decisão por entender que esta a melhor maneira de se defender das acusações sem atrapalhar o dia a dia da CBF, numa fase em que a entidade faz um trabalho intenso visando a melhorar a estrutura do futebol brasileiro.

É desculpa semelhante à que usa para justificar por que não sai do Brasil – a que precisa cuidar do futebol brasileiro e também defender (e se defender) e prestar todas os esclarecimentos necessários à CPI do Futebol.

Não vai colar a desculpa futura, assim como não cola a relacionada à CPI -e os seguidos recursos ao STF para impedir que a comissão tenha acesso aos principais contratos da entidade mostram isso.

Del Nero vai se licenciar a contragosto. Não queria fazê-lo “nem a pau”, mas percebeu que não haverá outro jeito.

Já definiu que o vice Marcus Vicente ficará em seu lugar (deputado federal pelo Espírito Santo, Vicente já consultou a Comissão de Constituição e Justiça sobre se pode acumular os dois cargos).

Fernando Sarney, outro vice, vai continuar representando-o na Conmebol.

E Gustavo Feijó, também vice, dividirá com o diretor de marketing, Gilberto Ratto, os compromissos referentes à seleção brasileira – como nas viagens internacionais.

Assim, o único vice que ficará de fora é Delfim Peixoto, aliás seu adversário.

Pelo estatuto, Delfim assumiria a CBF em caso de renúncia de Del Nero. Mas se o presidente se licenciar – pode fazê-lo por até seis meses, voltar por um dia e pedir nova licença por mais seis vezes -, tem o direito de indicar que dirigirá a entidade em seu lugar. Dirigirá a entidade para inglês ver, claro.

A estratégia está traçada. Só falta definir quando será colocada em prática.